ECONOMIA


Fusão entre United e American Airlines pode criar gigante no setor aéreo

Proposta teria sido discutida com Trump em fevereiro, mas enfrenta forte resistência regulatória e do mercado

Foto: Reprodução/Instagram

 

Um possível acordo entre a United Airlines e a American Airlines criará um gigante no setor e atrairá um escrutínio extraordinário de reguladores, sindicatos e defensores dos direitos do consumidor, todos receosos com o aumento das tarifas e a redução da concorrência.

Segundo duas fontes familiarizadas com o assunto, o CEO da United Airlines, Scott Kirby, apresentou ao presidente dos EUA, Donald Trump, uma possível fusão das duas companhias aéreas no final de fevereiro. No entanto, representantes do setor logo destacaram os formidáveis ​​obstáculos antitruste que tal acordo enfrentaria.

Os detalhes da proposta de Kirby não ficaram imediatamente claros. As ações de ambas as companhias aéreas subiram no início do pregão desta terça-feira (14), mesmo com as ações do setor aéreo ainda sob pressão devido aos preços mais altos do petróleo, ligados à guerra entre Israel e Irã, que ameaça a demanda por viagens.

“Isso me parece uma causa perdida. Há enormes sobreposições em diversas rotas e em várias áreas metropolitanas (como Chicago). Nenhuma quantidade de desinvestimentos resolveria o problema”, disse William Kovacic, diretor do centro de direito da concorrência da Universidade George Washington.

Os investidores considerando um possível acordo como um raro ponto positivo para as companhias aéreas, que tem enfrentado dificuldades nos últimos trimestres para gerar lucros consistentes e controlar custos.

A American Airlines vem tentando diminuir a diferença para suas rivais Delta Air Lines e United Airlines, que se destacaram ao capitalizar a forte demanda por viagens premium e ao adaptar melhor seus produtos às mudanças do mercado.

Para a United, um acordo desta magnitude poderia proporcionar a mudança radical em capacidade e participação de mercado necessária para estabelecer uma clara vantagem sobre a rival Delta Air Lines, que há muito domina o setor em termos de lucratividade e receita premium.

“Um acordo entre a United e a American reduziria as ‘Quatro Grandes’ a três, com uma única companhia dominante. Provavelmente haveria problemas de concorrência em muitas rotas entre cidades e em grandes centros de conexão”, disse o advogado antitruste Andre Barlow, do escritório DBM Law Group.

“Não tenho certeza se este acordo pode ser concretizado. O governo Trump está preocupado com questões de acessibilidade financeira e este acordo reduziria as opções e daria às companhias aéreas mais poder de precificação, o que significa tarifas mais altas para os consumidores, então acredito que ele passará por uma análise rigorosa.”

Desde o início da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, no final de fevereiro, as ações de ambas as companhias aéreas caíram, já que o conflito elevou acentuadamente os preços do combustível de aviação, com a American Airlines recuando 14,1% e a United, 10,4%.

Executivos de companhias aéreas e do setor alertaram que um período prolongado de custos elevados de combustível pode remodelar o setor, comprimindo as margens de lucro, limitando o crescimento da capacidade e aumentando a pressão sobre as empresas aéreas financeiramente mais frágeis.

Segundo fontes da Reuters, Kirby levantou a ideia da fusão durante uma reunião na Casa Branca em 25 de fevereiro, focada no futuro do Aeroporto Internacional de Washington Dulles, três dias antes do início do conflito.

Ele argumentou que uma companhia aérea resultante da fusão estaria em melhor posição para competir internacionalmente, onde as empresas aéreas estrangeiras representam a maioria da capacidade de assentos em voos de longa distância de e para os Estados Unidos, apesar de os cidadãos americanos constituírem a maior parte desses viajantes.

Representantes do setor e especialistas em direito antitruste afirmaram que qualquer tentativa de obter aprovação enfrentaria grandes obstáculos, citando preocupações com a concorrência, tarifas mais altas, perda de empregos e sobreposição significativa de rotas em um mercado aéreo americano já dominado por quatro grandes companhias.

A United e a American não responderam imediatamente aos pedidos de comentários sobre as implicações antitruste da possível fusão.

Com informações da CNN