ECONOMIA


Aluguel sobe em março e alta ultrapassa inflação em 2026

Capitais como Manaus, Campo Grande e Aracaju concentram as maiores valorizações no período, segundo Índice FipeZAP

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

 

Os preços dos aluguéis residenciais seguem em alta no início de 2026, ficando acima da inflação e se espalhando pela maior parte do país. Em março, o Índice FipeZAP de Locação avançou 0,84%, mantendo o ritmo de valorização.

O movimento de alta foi amplo, atingindo 30 das 36 cidades monitoradas pelo FipeZAP, o que inclui ainda 17 capitais. Aracaju, por exemplo, teve alta de 6,53%. Já Campo Grande subiu 4,64% e Manaus 3,60%, liderando as maiores altas do mês de março. Isso também sinaliza uma maior valorização fora dos grandes centros tradicionais.

Já mercados tradicionais como São Paulo subiu 0,56% e Rio de Janeiro teve alta de 1,59%,  seguindo em trajetória ascendente, mas já em um ritmo mais moderado.

O resultado do último mês superou a variação dos preços de venda de imóveis no período, que chegou a subir 0,48%, e ficou próximo da inflação oficial ao consumidor medida pelo IPCA, que teve alta de 0,88%, indicando um mercado de locação ainda aquecido, de acordo com o levantamento.

Assim como no mercado de venda, os imóveis menores seguem puxando a valorização no aluguel para cima. O dado reforça uma demanda maior de unidades mais compactas, geralmente associadas a maior liquidez e menor custo total para o inquilino. Dessa forma, imóveis com um dormitório tiveram alta de 1,10%, enquanto imóveis com quatro ou mais dormitórios subiram 0,65%.

No acumulado do primeiro trimestre, o Índice FipeZAP registra alta de 2,45%, superando tanto o IPCA, que chegou a subir 1,92%, quanto o IGP-M, com alta de 0,19% no mesmo período.

Capitais como Manaus, Campo Grande e Aracaju concentram as maiores valorizações no período, com altas de 10,12%, 9,12% e 7,06%, respectivamente. Isso indica forte pressão regional sobre os preços.

No horizonte dos últimos 12 meses, os aluguéis acumulam alta de 8,63%, mais que o dobro da inflação oficial, de 4,14%.

O preço médio do aluguel no país chegou a R$52,34 por metro quadrado em março. Entre as capitais, São Paulo lidera com o metro quadrado a R$63,63, seguida de Belém e Recife.

Já a rentabilidade média do aluguel foi estimada em 6,05% ao ano, o que fica abaixo do retorno de aplicações financeiras no cenário atual de juros elevados, segundo o FipeZAP. Isso indica que, embora o aluguel esteja mais caro, o investimento imobiliário ainda enfrenta concorrência forte de ativos financeiros.

Nesse cenário, o comportamento dos aluguéis em 2026 reforça a existência de uma pressão contínua, impulsionado principalmente pelas condições macroeconômicas. 

Com crédito imobiliário mais caro, a migração de potenciais compradores para o mercado de locação tende a sustentar a demanda e, consequentemente, os preços ao longo do ano, conforme avaliação da FipeZAP.