ECONOMIA


Dívida externa chega a US$ 407,1 bi e Brasil volta a ser devedor internacional após 19 anos

A dívida reúne obrigações do setor público, de bancos e de empresas brasileiras com credores estrangeiros

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

 

O Brasil voltou à condição de devedor externo líquido em junho de 2026, após 19 anos como credor, segundo dados do Banco Central (BC) divulgados pelo Estadão/Broadcast. A mudança ocorreu após a dívida externa do país alcançar US$ 407,1 bilhões, superando os US$ 402 bilhões em ativos externos considerados na comparação. Com isso, o saldo devedor líquido chegou a US$ 5,1 bilhões.

A dívida externa reúne obrigações do setor público, de bancos e de empresas brasileiras com credores estrangeiros. O montante registrado em junho é o maior da série histórica de 40 anos mencionada na reportagem. Já os ativos externos incluem créditos brasileiros no exterior e não se limitam às reservas internacionais.

O Brasil manteve uma posição de credor externo líquido entre 2007 e 2025, período em que os ativos considerados superavam as obrigações com o restante do mundo. A mudança indica que essa cobertura deixou de existir, mas não significa, por si só, que o país esteja diante de uma crise nas contas externas.

Durante o atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a dívida externa cresceu 27,4%, enquanto as reservas internacionais avançaram 15,8%, de acordo com os dados citados pelo Estadão/Broadcast. O descompasso entre os indicadores é acompanhado em meio ao aumento do déficit nas transações correntes, que reúne as operações de comércio de bens e serviços e as transferências de renda entre o Brasil e outros países.

Em 2025, o déficit em transações correntes chegou a US$ 67,4 bilhões, mais que o dobro dos US$ 27 bilhões registrados em 2023. Apesar do resultado negativo, a entrada de investimento estrangeiro direto tem contribuído para financiar essa diferença e reduzir a necessidade de recorrer às reservas internacionais ou ampliar o endividamento externo na mesma proporção.

A margem entre os investimentos estrangeiros diretos recebidos e o déficit em transações correntes, porém, diminuiu nos últimos anos. Em 2025, essa diferença foi de US$ 17,6 bilhões, abaixo dos mais de US$ 38 bilhões registrados em 2023. Em 2024, a folga ficou abaixo de US$ 9 bilhões.

Apesar da mudança na posição externa, os indicadores ainda apontam uma situação relativamente protegida. Segundo os dados apresentados na reportagem, a dívida externa líquida representa menos de 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto as reservas internacionais cobrem mais de três vezes os vencimentos da dívida de curto prazo.

O cenário pode exigir maior atenção caso o déficit em transações correntes permaneça elevado e a entrada de investimentos estrangeiros perca força. Uma redução no financiamento externo, combinada a saídas expressivas de dólares, poderia aumentar a pressão sobre o câmbio e os custos de financiamento do país.

Com informações do Estadão/Broadcast