JUSTIÇA


Justiça manda YouTube retirar vídeos que erotizam a escravidão

Decisão, concedida parcialmente em caráter liminar na terça-feira (20), atende a um pedido da Educafro

Foto: Reprodução/ redes sociais

 

 

A Justiça de São Paulo determinou que o YouTube retire do ar vídeos feitos com inteligência artificial que transformam a escravidão no Brasil em histórias de teor sexual apresentadas como reais. A informação é da coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo.

De acordo com a publicação, a decisão, concedida parcialmente em caráter liminar na terça-feira (20), atende a um pedido da Educafro, representada pelo advogado Michael de Jesus, em ação civil pública contra o Google Brasil.

A entidade aponta ainda a existência de cerca de 150 canais dedicados a esse tipo de conteúdo, que somavam aproximadamente 80 milhões de visualizações em agosto, segundo levantamento da BBC News Brasil. Os vídeos retratam pessoas escravizadas como personagens de fantasias sexuais e recorrem a supostos relatos históricos, com nomes, datas e até pesquisas acadêmicas inventadas.

Pela decisão, a plataforma deverá retirar os vídeos indicados em notificação extrajudicial e as réplicas de conteúdo idêntico, além de desmonetizar o material, excluí-lo dos sistemas de recomendação e deixar de gerar resumos automáticos sobre ele.

A Educafro sustenta que o YouTube lucra com a circulação desse material por meio de anúncios e recomendações algorítmicas. A ação pede indenização por dano moral coletivo de R$ 100 milhões, além da adoção de uma política permanente para combater conteúdos que erotizem ou banalizem a escravidão.

A entrega dos dados dos responsáveis pelos canais, assim como registros de monetização serão solicitados após a manifestação do Google no processo.