JUSTIÇA


PF rastreia repasse de R$ 270 mil de Willer Tomaz para blindar imagem de Ramagem

Documentos indicam que advogado bancou agência de comunicação durante a campanha do ex-diretor da Abin à Prefeitura do Rio de Janeiro

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

 

 

A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que o advogado Willer Tomaz pagou R$ 270 mil por serviços de comunicação para Alexandre Ramagem (PL), ex-deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O objetivo da contratação era gerenciar crises de imagem durante a disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro em 2024.

As informações constam em um relatório feito a partir de aparelhos eletrônicos do advogado e divulgado pelo portal UOL. Os arquivos revelam a existência de uma proposta de comunicação voltada ao político. O valor total de R$ 270 mil foi dividido em três parcelas de R$ 90 mil e destinado à Torre Comunicação e Estratégia Ltda., empresa com sede em Brasília.

A primeira parcela aparece nos registros em 19 de abril de 2024. O documento contábil descreve a despesa expressamente com as aspas “PESSOAIS WILLER” no centro de custo e no plano de contas. Essa anotação chamou a atenção da PF por vincular o gasto de forma direta ao advogado.

A investigação também aponta Willer Tomaz como possível sócio do senador Flávio Bolsonaro (PL). Os registros financeiros exibem a ligação de pagamentos de forma clara. Contudo, os documentos não comprovam os serviços exatos executados pela agência nem atestam a existência de contrapartidas políticas.

O contexto eleitoral de 2024 justifica o interesse das autoridades nos pagamentos. Alexandre Ramagem concorria ao cargo de prefeito no período. O político precisava ampliar a própria projeção pública após o comando da Abin.