ECONOMIA


Bitcoin recua à faixa de US$ 80 mil e marca mínima de três semanas com dados de inflação nos EUA

Criptoativos foram pressionados pela inflação ao consumidor acima do previsto nos EUA e tombo de 7,5% na Bolsa sul-coreana

Foto: Reprodução/ Freepik

 

O Bitcoin (BTC) recuou na quinta-feira (15) e se aproximou de US$ 80 mil, atingindo o menor nível em mais de três semanas. A criptomoeda sofre pressão dos dados de inflação dos Estados Unidos e de uma onda de vendas em ações de tecnologia na Ásia, que levou a Bolsa da Coreia do Sul a fechar em queda de 7,5%. A informação é do portal BPMoney.

Por volta das 10h40, no horário de Brasília, o Bitcoin era negociado a US$ 80,3 mil, com baixa de aproximadamente 2,4% em 24 horas. Durante a sessão, o ativo chegou à mínima de US$ 80,1 mil.

Além disso, o Ether (ETH), segunda maior criptomoeda do mercado, recuava mais de 4%, para perto de US$ 2.340.

Inflação dos EUA aumenta pressão sobre o Bitcoin

Os dados de inflação americana divulgados na quarta-feira (14) reforçaram as preocupações com a política monetária do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos.

O índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,6% em setembro e acumulou alta de 3,7% em 12 meses, acima da expectativa de 3,6% do mercado. Já o núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, avançou 0,3% no mês e 2,6% em um ano.

Os resultados do núcleo também superaram as projeções, de 0,2% e 2,5%, respectivamente. Embora a gasolina tenha concentrado parte importante da pressão mensal, os aumentos atingiram outras categorias.

Com isso, cresceram as apostas em uma nova alta de juros pelo Fed. Segundo os dados citados no mercado, a probabilidade de um aumento já em outubro avançou de cerca de 22% para uma faixa próxima de 35%.

Juros elevados por mais tempo tendem a reduzir a atratividade de ativos de risco, como criptomoedas, ao aumentar o custo de capital e tornar aplicações de renda fixa mais competitivas.

“Inflação persistente e juros mais altos por mais tempo reduzem a liquidez e elevam o custo de capital, ambiente desfavorável para ativos de risco, incluindo criptoativos”, afirmaram analistas do BTG em relatório.

Vendas na Ásia ampliam perdas das criptomoedas

A pressão sobre o Bitcoin também acompanha a queda das ações de tecnologia na Ásia. Na Coreia do Sul, o índice Kospi recuou 7,5%, atingindo o menor nível desde abril.

As perdas foram puxadas por empresas como SK Hynix e Samsung Electronics, em meio à redução de posições ligadas ao setor de inteligência artificial (IA).

Ao mesmo tempo, os contratos futuros do Nasdaq recuavam mais de 1% durante a manhã nos Estados Unidos. Dessa forma, o movimento negativo se espalhou entre ativos considerados mais sensíveis ao apetite por risco.

No mercado cripto, a queda também desencadeou liquidações de posições alavancadas. Os dados da CoinGlass indicavam que o volume de liquidações se aproximava de US$ 1 bilhão em 24 horas, com cerca de 90% concentrados em posições compradas, que apostavam na valorização dos ativos.

Quando os preços caem, essas posições podem ser encerradas automaticamente para cobrir perdas. Como consequência, as liquidações ampliam a pressão vendedora e aceleram os movimentos de baixa.

ETFs de Bitcoin registram saída de recursos

A demanda institucional também perdeu força. Os fundos negociados em Bolsa (ETFs) de Bitcoin à vista nos Estados Unidos registraram saídas de US$ 261,5 milhões no dia da divulgação do CPI, segundo dados da SoSoValue.

Além disso, o preço da criptomoeda ficou abaixo do custo médio estimado dos investidores que compraram por meio desses fundos. Segundo a Glassnode, essa referência estava em aproximadamente US$ 81,5 mil.

Esse movimento aumenta a pressão sobre os investidores que entraram no mercado a preços mais elevados. Ao mesmo tempo, a redução dos fluxos para os ETFs diminui uma fonte importante de demanda institucional.

Quais são os próximos suportes do Bitcoin?

Antes da divulgação da inflação americana, a Bitfinex já alertava para o risco de queda caso o CPI superasse as expectativas.

“Um CPI bem acima das expectativas colocaria em risco os US$ 81.300 antes que os fluxos tivessem tempo de se recuperar”, afirmou a corretora em relatório.

Agora, a permanência do Bitcoin abaixo de US$ 81,3 mil por mais de uma sessão, combinada à continuidade das saídas dos ETFs, coloca no radar a região de US$ 77,4 mil. Esse patamar corresponde à chamada média verdadeira de mercado, segundo a análise da Bitfinex.

Antes disso, a faixa de US$ 80 mil concentra um volume importante de ordens de compra na Binance, de acordo com a Glassnode. Por isso, a reação dos investidores nessa região pode influenciar os próximos movimentos da criptomoeda.

Baleias continuam acumulando Bitcoin

Apesar da queda, alguns indicadores apontam continuidade da acumulação por grandes investidores, conhecidos como baleias.

As reservas de Bitcoin mantidas por esses participantes fora de corretoras chegaram a 3,03 milhões de BTC, o maior nível desde novembro de 2025, segundo a CryptoQuant.

Além disso, empresas com tesourarias em criptomoedas ampliaram suas posições nesta semana. A Strategy comprou 250 BTC, enquanto a Strive adquiriu 6.133 BTC.

O movimento indica que parte dos grandes investidores continua aumentando a exposição ao ativo, mesmo diante da pressão de curto prazo. Entretanto, essas compras não eliminam os riscos associados à inflação americana, à trajetória dos juros e à redução do apetite global por ativos de risco.