JUSTIÇA


Advocacia baiana homenageia Gileno Félix e relembra legado no Direito e nas artes

Evento promovido pelo Instituto dos Advogados da Bahia (IAB), em parceria com a OAB-BA, destacou atuação do advogado nas lutas sociais e sua trajetória como artista

Foto: Angelino de Jesus – OAB/BA

 

A trajetória de Gileno de Oliveira Félix, advogado que se destacou na defesa de comunidades em situação de vulnerabilidade social e, também, construiu uma carreira nas artes, foi lembrada nesta quarta-feira (28), durante uma homenagem póstuma realizada no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB-BA), na Piedade, em Salvador.

Promovido pelo Instituto dos Advogados da Bahia (IAB), em parceria com a OAB-BA, o encontro reuniu familiares, amigos e representantes da advocacia baiana em uma roda de conversa marcada por relatos sobre a vida e o legado de Gileno, falecido em 20 de julho, aos 73 anos. As lembranças foram intercaladas por manifestações artísticas que evidenciaram a diversidade de sua produção como compositor, escritor e artista plástico.

A mesa de abertura contou com a presença da presidente da OAB-BA, Daniela Borges; do presidente do IAB, Antônio Menezes; da esposa do homenageado, a oficial de Justiça do Trabalho Vandalice Pedreira; do presidente da Caixa de Assistência dos Advogados da Bahia (CAAB), Maurício Leahy; e da secretária-geral da OAB-BA, Cleia Costa, responsável pela mediação do encontro.

Durante a homenagem, Antônio Menezes destacou que o IAB vem ampliando sua atuação cultural, promovendo iniciativas que ultrapassam o universo jurídico e abrem espaço para diferentes expressões artísticas. Segundo ele, a proposta também busca reconhecer advogados e advogadas que prestaram relevantes serviços à sociedade.

Menezes relembrou a participação de Gileno nos primeiros embates judiciais relacionados às ocupações de terra em Salvador, quando atuou na defesa de comunidades de baixa renda que lutavam pelo direito à moradia. Sua atuação contribuiu para a consolidação de bairros da capital baiana, entre eles o Marotinho, atualmente conhecido como Novo Marotinho.

A presidente da OAB-BA, Daniela Borges, ressaltou a importância de aproximar o Direito da arte e de reconhecer profissionais que fizeram de sua atuação um instrumento de transformação social. “O Direito, quando se encontra com a arte, potencializa sua capacidade transformadora de ser vanguarda”, afirmou. Daniela também reafirmou o compromisso da instituição com a valorização da memória de profissionais que marcaram a história da advocacia e destacou a importância do trabalho desenvolvido pelo IAB.

Outras passagens da vida de Gileno foram lembradas por participantes da roda de conversa. Flávio Lima Rosa, que integrou com ele o Coral da Juventude do Mosteiro de São Bento, recordou a criação de um serviço social, por meio do qual passou a prestar atendimento à população em situação de vulnerabilidade. Foi nesse período que Gileno iniciou sua atuação junto às comunidades envolvidas nas ocupações de terra.

O advogado e ex-ouvidor-geral do Tribunal de Justiça da Bahia, Nerivaldo Almeida, que foi professor de Gileno, também compartilhou lembranças de sua trajetória, destacando sua participação como monitor nas aulas de artes plásticas da Escola Parque Salvador. O encontro foi encerrado com uma apresentação musical da cantora Aiace, filha do homenageado, em um momento que reforçou a presença da arte na história da família.

Natural de Salinas da Margarida, no Recôncavo Baiano, Gileno Félix graduou-se em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ao longo da vida, conciliou a advocacia com a produção artística, deixando obras na música, na literatura e nas artes plásticas. Entre suas composições mais conhecidas está “Me Abraça e Me Beija”, criada em parceria com Lazzo Matumbi. Fundador do tradicional bloco carnavalesco  “O povo pediu”, Gileno também teve canções gravadas por outros artistas, como Jimmy Cliff, Luiz Melodia e Nairzinha.