POLÍTICA


Deputados da Alba fazem balanço das eleições em primeira sessão após o pleito

Parlamentares celebraram vitórias, lamentaram derrotas e discutiram problemas no transporte público durante a votação

Foto: Sandra Travassos/Agência Alba

 

Os discursos de agradecimento dominaram a primeira sessão da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), nesta terça-feira (27), após o resultado das eleições do último domingo (25). Com uma renovação de 38,09% na Casa para o próximo período, os membros do Parlamento baiano da atual legislatura fizeram um balanço de suas respectivas campanhas, celebraram a vitória de seus pares e manifestaram solidariedade aos colegas que não lograram êxito nas urnas.

A presidente da Casa, Ivana Bastos, que dividiu a direção dos trabalhos do dia com o colega Samuel Junior (PL), foi especialmente saudada por ter sido a deputada estadual mais votada do Nordeste e ter alcançado a maior votação da história da Bahia para a ALBA, com 203.202 votos. Os presentes brincaram com a expressão “poca urna”, enquanto Ivana destacou o apoio de aliados políticos e da população e reafirmou seu compromisso de honrar cada voto com trabalho, lealdade e responsabilidade.

Por acordo entre as lideranças da maioria e da minoria, o tempo do pequeno expediente foi estendido para contemplar a fala de todos os oradores inscritos. As vitórias do governador Jerônimo Rodrigues, dos senadores Jaques Wagner e Rui Costa e do presidente Lula, que completa nesta terça-feira (27) 81 anos, também foram destaque nos pronunciamentos dos deputados da base do governo.

Angelo Almeida (PT) celebrou, especialmente em Feira de Santana, o papel da juventude e a queda da taxa de abstenção, de 17% para 13%, entre o primeiro e o segundo turnos. Zé Raimundo Fontes (PT) destacou a força da mobilização social, registrando, porém, preocupação com a manipulação das big techs e do poder econômico individual na democracia representativa. Já Marcinho Oliveira (PDT) destacou a importância da participação popular e da defesa da democracia no pleito.

Robinson Almeida (PT) lembrou que, pela primeira vez desde a redemocratização, um candidato à Presidência que ficou em segundo lugar no primeiro turno venceu uma eleição no Brasil, com o maior número de votos da história das eleições brasileiras. Cláudia Oliveira (PSD) comemorou a quarta vitória do presidente Lula, destacando sua vitalidade e disposição para conduzir seu próximo mandato.

Eleito para o sétimo mandato na ALBA, Roberto Carlos (PV) relatou dificuldades em sua campanha, desde o financiamento partidário e a ausência na propaganda eleitoral até o boicote da Meta, que tirou do ar sua conta no Instagram. Outro decano da Casa, José de Arimateia (Republicanos), que vai para o sexto mandato, agradeceu a seus eleitores e correligionários, citando a passagem bíblica de Provérbios 19:21: “Muitos são os planos no coração do homem, mas o propósito do Senhor prevalecerá”.

Problemas no transporte público

Olívia Santana (PCdoB) repercutiu as dificuldades de transporte público para eleitores em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, o que chamou de “sabotagem ao voto”, cobrando que a Justiça responsabilize os gestores pelo crime eleitoral. Hilton Coelho (PSOL), que se despede do mandato em janeiro de 2027, registrou que deu entrada em um abaixo-assinado pelo impeachment do prefeito da capital baiana, Bruno Reis, por meio de uma petição na plataforma Change.org, que reunia quase 300 mil assinaturas.

Em defesa do correligionário, Luciano Simões Filho (UB) e Samuel Junior (PL) ponderaram sobre a diminuição da frota de ônibus. O deputado do União Brasil argumentou que a redução da frota foi motivada pela adesivagem de grande parte dos veículos com material de campanha do candidato do PT, que atribuiu a sindicatos e militantes. Já o liberal reforçou que, por se tratar de uma concessão pública, a identificação partidária nos ônibus configuraria crime eleitoral, gerando a responsabilização dos autores da adesivagem.

Outro ponto polêmico envolveu a saída do país do candidato à Presidência derrotado no último domingo, o senador Flávio Bolsonaro (PL). Dr. Diego Castro (PL), o segundo deputado mais votado da Bahia, expressou sua “solidariedade ao nosso legítimo presidente Flávio Bolsonaro, que está sendo vítima de uma caçada desenfreada aos conservadores e apoiadores do presidente Jair Bolsonaro”. Ele afirmou que será “uma trincheira contra o PT na Bahia pelos próximos 4 anos”.

Em contraponto ao representante do PL, Rosemberg Pinto (PT) classificou como “desinformação” o discurso do colega. Para o petista, está claro que o candidato Flávio Bolsonaro “fugiu do país” e, segundo relatos de seus próprios aliados, “teria deixado o Brasil após prometer que permaneceria no país e lideraria a oposição ao governo Lula”.