POLÍTICA


Presidente critica saída de senador do país em aniversário no Alvorada: ‘quem não deve, não teme’

Lula defende a convivência democrática e comenta a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil e Lula Marques/Agência Brasil

 

O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursou nesta segunda-feira (27) para centenas de pessoas reunidas no espelho d’água do Palácio da Alvorada, em Brasília, em função do seu aniversário de 81 anos. O chefe do Executivo chegou às 18h acompanhado da primeira-dama, Janja da Silva, para agradecer aos eleitores e fazer acenos à pacificação do país. O evento contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), além de ministros de Estado e parlamentares aliados.

Durante a fala, o presidente abordou o respeito às divergências políticas na democracia. “Temos a obrigação de fazer com que as pessoas aprendam que ninguém é inimigo de ninguém na democracia. Pai não precisa brigar com o filho por causa do voto”, declarou. O chefe do Governo citou a participação do eleitorado na votação e ressaltou a presença de “idosos que tiveram coragem de dizer ao mundo que o Brasil não é quintal de ninguém”.

No pronunciamento, Lula também criticou as empresas de tecnologia Meta e o governo dos Estados Unidos sob a alegação de interferência no processo eleitoral. Em outro momento, o presidente comentou a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) para o território norte-americano. “Eu perdi eleição pro Collor, pro Fernando Henrique Cardoso, duas vezes, e fiquei no Brasil. Eu fico imaginando que culpa tem na consciência o cara que fugiu do Brasil? Quem não deve não teme. Se saiu de seu país, é porque deve alguma coisa”, afirmou.

O presidente declarou que o parlamentar deveria permanecer em território nacional para responder às acusações. “Eu lamento que ele tenha saído do Brasil. Poderia ficar aqui e provar que as acusações não são verdadeiras. Tentei fazer ele provar que era honesto entregando minha papelada. Ele não entregou [a dele]. Esse ato de sair do Brasil é vergonhoso. Lamentavelmente a familia Bolsonaro é isso. O Brasil é a segunda pátria deles. A primeira é lamber botas dos americanos”, completou.

A cerimônia reuniu ministros do governo, incluindo Guilherme Boulos (PSOL), da Secretaria-Geral da Presidência, Dario Durigan, da Fazenda, e Wellington Dias (PT), do Desenvolvimento Social. Participaram do ato o senador Camilo Santana (PT-CE), o ex-ministro Fernando Haddad e o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT). Completaram a lista de presentes o assessor especial Celso Amorim e os senadores Otto Alencar (PSD), Jaques Wagner (PT) e Randolfe Rodrigues (PT).