JUSTIÇA


Governistas reúnem 100 assinaturas para CPMI contra Flávio Bolsonaro

Investigação foca em dois inquéritos do STF sobre suposta lavagem de dinheiro através do filme Dark Horse e elos financeiros de R$ 130 milhões com o advogado Willer Tomaz

Foto: Assessoria/Campanha de Flávio Bolsonaro

 

Líderes do governo no Congresso Nacional buscam assinaturas para abrir uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). O objetivo é investigar o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz por supostas irregularidades financeiras.

O líder do PT na Câmara, deputado federal Pedro Uczai (PT), informou que o requerimento já possui 100 assinaturas de apoio. Atualmente, o documento conta com 15 senadores e 85 deputados federais.

A base governista cobra reciprocidade da oposição para alcançar os 198 apoios exigidos pelo protocola oficial. O documento necessita de adesão formal de 171 deputados e 27 senadores.

Uczai afirmou que o governo não teme a transparência e citou o apoio da base à comissão sobre Fábio Luís lula da Silva e Roberta Luchsinger. A instalação final do colegiado depende da leitura do requerimento pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União).

“Queremos que o time do Flávio Bolsonaro tenha a mesma postura que nós. Assinamos a CPMI deles e queremos que eles assinem a nossa CPMI contra o Willer Tomaz para investigar todas as acusações”, disse Uczai.

O líder do PT no Senado, Camilo Santana (PT), também assina o pedido de criação da comissão formada por 16 senadores e 16 deputados. O colegiado pede um prazo de 180 dias para apurar as relações financeiras do senador com a empresa Alcazar Holdings e o executivo Daniel Vorcaro.

O texto base mira dois inquéritos em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF). O primeiro caso apura suposta lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no financiamento do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro.

A apuração iniciou em julho sob relatoria relatoria do ministro André Mendonça, a pedido da Polícia Federal (PF). O processo conta com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República.

Mensagens e áudios divulgados em maio indicam que Flávio negociou aportes de até US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões à época). O diálogo ocorreu com Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master.

Segundo uma delação homologada em setembro, sete remessas somaram US$ 12,3 milhões e foram enviadas em 2025 ao fundo Havengate nos Estados Unidos. A PF apura se parte desse dinheiro bancou a permanência de Eduardo Bolsonaro no país norte-americano.

O segundo inquérito tem origem em investigações sobre plataformas de pagamento e apostas, com foco no advogado Willer Tomaz. O caso chegou ao STF na quarta-feira (8 de outubro) e tramita com o ministro Alexandre de Moraes.

Tomaz sofreu busca e apreensão em agosto durante a Operação Sem Desconto. A ação policial apura descontos indevidos aplicados em benefícios do INSS.

A polícia identificou o cadastro do senador como usuário principal de uma conta da Alcazar Holdings, empresa na qual Willer é o único sócio formal. O pedido de desvinculação dessa conta ocorreu na quinta-feira (22 de maio de 2025).

Há também registros de viagens de Flávio e de familiares pagas pela Cathedral Holding. A companhia é a acionista única da Rede Loto, uma casa de apostas credenciada no Rio de Janeiro.

Uma conta ligada ao advogado movimentou cerca de R$ 130 milhões entre os meses de março e maio de 2025. Os dois inquéritos criminais se cruzam devido ao uso compartilhado de uma aeronave particular.

A Alcazar Holdings possui participação em um jato do qual Vorcaro também foi cotista. Flávio Bolsonaro utilizou o veículo aéreo em uma viagem dos Estados Unidos ao Brasil em janeiro de 2025.

Willer Tomaz viajou ao exterior com a família poucos dias após o inquérito chegar ao STF. As autoridades avaliam se a partida teve o propósito de escapar de medidas cautelares.