POLÍTICA


Presidente da Argentina chama Lula de ‘esquerdista ladrão’

Itamaraty classifica publicação de Milei sobre eleições como "inaceitável tentativa de ingerência"

Fotos: Ricardo Stuckert/PR; Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil publicou uma nota oficial na terça-feira (20) com repúdio a declarações de Javier Milei, presidente da Argentina. O texto condena postagens do líder estrangeiro com insinuações de fraude no segundo turno da eleição presidencial brasileira, marcado para domingo (25).

Milei utilizou a rede social X para publicar comentários contra o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na postagem, o presidente argentino escreveu: “Espero que o último truque sujo de campanha dele não inclua roubar a eleição… esquerdista ladrão”.

A pasta brasileira rebateu os comentários e considerou a manifestação incompatível com a postura de um chefe de Estado. “As ofensas de hoje do Presidente da República Argentina ao Brasil, desta vez dirigidas ao Poder Judiciário e ao sistema de voto eletrônico, constituem nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”, destacou o órgão.

O Itamaraty defendeu as urnas ao afirmar que o sistema brasileiro de voto eletrônico é comprovadamente seguro e nunca registrou irregularidades. O ministério também lembrou a ratificação do processo por observadores eleitorais do mundo inteiro no primeiro turno.

A nota oficial ressalta a exclusividade do povo brasileiro sobre a decisão do futuro do país, sem interferências de fora. Lula disputa a fase final da votação contra Flávio Bolsonaro (PL), candidato com apoio público de Milei.

Os dois países enfrentam a maior crise diplomática em décadas. O atrito teve início com a ida do presidente argentino à Convenção Nacional do PL, evento de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro.

Naquela ocasião, Milei chamou o petista de “presidiário”. O líder vizinho também se referiu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, como “lixo careca”.

O Itamaraty respondeu com a convocação do embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Bitelli, para consultas. O governo brasileiro também exigiu explicações de Daniel Raimondi, embaixador argentino em Brasília à época.

Pablo Quirno, chanceler da Argentina, descartou a intenção de ruptura com o Brasil. Milei, contudo, continuou a chamar o líder brasileiro de “ladrão” em entrevistas a veículos de comunicação locais.

Diante da repetição dos xingamentos, o Brasil rebaixou as relações diplomáticas com a nação vizinha e optou por não mandar Bitelli de volta a Buenos Aires. Raimondi deixou o território brasileiro dias após a comunicação da medida.

O contato diplomático entre os governos funciona agora no nível de encarregados de negócios. O ministro-conselheiro Eduardo Uziel responde pela representação brasileira na Argentina.