JUSTIÇA


TSE manda remover vídeos de Flávio Bolsonaro acusa Lula de menosprezar garis

Decisão do plenário conclui que acusações contra o filho do presidente extrapolam o debate eleitoral e reforma entendimento anterior

Foto: Ricardo Stuckert/PR e Waldemir Barreto/Agência Senado

O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou nesta quinta-feira (15) a remoção de conteúdos do candidato Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a categoria dos garis. A medida reforma a decisão individual prévia do ministro André Mendonça.

O presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, liderou a divergência vencedora na sessão presencial. O magistrado assinalou a ausência de fatos comprovados sobre o envolvimento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, nas investigações citadas.

A Polícia Federal (PF) apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mas Lulinha não possui indiciamento formal no caso. No vídeo veiculado em redes sociais, o senador fez referência direta ao processo.

“Os nossos garis podem voltar para casa cansados, suados, com as mãos calejadas de tanto trabalhar, mas voltam com a cabeça erguida, porque estão levando dignidade para as suas famílias. Não porque colocaram no bolso R$ 300 mil roubados dos aposentados, como o Lulinha é acusado de receber de propina do Careca do INSS. Entendeu a diferença, pai do Lulinha?”, declarou Flávio Bolsonaro.

A publicação do parlamentar exibiu um trecho do discurso feito por Lula em Belo Horizonte (MG), no dia 29 de setembro. A gravação veiculada destacava apenas a fala inicial do petista sobre a profissão.

“Quando eu passo na rua e vejo aquelas pessoas que trabalham colhendo lixo, é uma profissão muito pobre, porque não é uma profissão que dá orgulho. ‘Eu sou lixeiro’. O cara tem orgulho de falar: ‘Eu sou engenheiro, eu sou médico’. Mas lixeiro é uma coisa pobre de quem não pôde estudar”, disse Lula à época.

O material divulgado por Flávio Bolsonaro cortava a continuação do pronunciamento do presidente. Na sequência da fala, Lula exaltava a relevância do serviço prestado pelos trabalhadores de limpeza urbana.

“Eu fico pensando se aquelas pessoas, que fazem a limpeza na rua, soubessem a importância do trabalho deles, se eles soubessem que se eles não tirarem lixo durante uma semana, as pessoas que não enxergam ele durante o dia inteiro vão passar a enxergar, a gente começa a mudar”, completou o presidente.

Em relação à edição da fala de Lula, Kassio Nunes Marques acompanhou parcialmente a tese de André Mendonça. O ministro considerou que o uso do vídeo fora de contexto por Flávio Bolsonaro e pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL) integra o debate eleitoral.

Segundo o magistrado, o recorte conferiu leitura desfavorável à declaração, mas não criou frases inexistentes nem atribuiu ao petista palavras não ditas. O caso tramitava no plenário virtual e migrou para o julgamento físico após pedido de destaque.