POLÍTICA


OpenAI alerta PF sobre ameaças de morte contra Lula em conversas com ChatGPT

Empresa identificou possíveis riscos de violência grave e encaminhou informações às autoridades; PF enviou registros ao Ministério da Justiça para que órgão avalie abertura de dois inquéritos

Fotos: Reprodução/Freepik; Feijão Almeida/GOVBA

 

A OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, alertou a Polícia Federal (PF) sobre conversas em que pelo menos dois usuários manifestaram intenção de atacar ou ameaçar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. A empresa identificou possíveis riscos de violência grave e encaminhou informações às autoridades. As informações são da Folha de S.Paulo.

No início de outubro, a PF enviou os registros ao Ministério da Justiça para que o órgão avalie a abertura de dois inquéritos. Um deles apuraria possíveis crimes de ameaça e injúria, enquanto o outro investigaria ameaças contra Lula.

A OpenAI informou que comunica às autoridades situações em que identifica risco de danos a outras pessoas e também notificou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), “em linha com o plano de conformidade eleitoral”. O Ministério da Justiça e a PF não responderam aos questionamentos da reportagem.

Um dos casos envolve mensagens enviadas ao ChatGPT desde janeiro por um homem. Em setembro, ele relatou que estava no centro da cidade onde mora quando viu Lula em um palco montado para a campanha eleitoral. Depois, afirmou que tinha vontade de atirar na cabeça do presidente e perguntou “o que acontece se eu matar o presidente” e “quantos anos eu pegaria [de pena]”. Ele também enviou a imagem de um local que, segundo a reportagem, teria um ângulo favorável para um possível ataque.

No alerta encaminhado às autoridades, a OpenAI destacou que, embora o usuário afirmasse que não agiria e não possuía arma, ele mencionou o uso de um fuzil de precisão e fez referências a uma rota de fuga, binóculos e um AR-15 com luneta.

A empresa também relatou que o homem havia enviado imagens de armas brancas, falado sobre agredir parentes e compartilhado símbolos nazistas. Em outra conversa, disse que faria um massacre caso tivesse dinheiro e enviou uma receita de explosivo, além de mencionar ataques a centros médicos.

No início de outubro, a OpenAI encerrou a conta do usuário e encaminhou os dados à PF. A empresa pediu que as informações fossem avaliadas de forma “independente pelas autoridades policiais competentes”. Também justificou o compartilhamento dos registros como uma medida para “proteger direitos e bens e combater o uso abusivo dos serviços e sistemas, em conformidade com os Termos de Serviço e a Política de Privacidade”.

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, encaminhou o caso ao ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, responsável por decidir sobre a abertura de investigação por ameaça. O crime prevê detenção de um a seis meses ou multa.