POLÍTICA


Deputado do União Brasil aliado de Flávio Bolsonaro e delegado são presos pela PF

Operação mira lavagem de dinheiro em postos de combustíveis no Rio de Janeiro

Foto: Instagram @flaviobolsonaro

 

O deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo (RJ) Marcio Canella (União Brasil-RJ) e o delegado Marcus Amim foram presos na manhã desta quinta-feira (15) durante operação da Polícia Federal contra lavagem de dinheiro em postos de combustíveis. O esquema movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme Relatório de Inteligência Financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

Canella foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio, com 197 mil votos. Seu nome chegou a ser indicado para o Senado por Flávio Bolsonaro (PL), candidato a presidente da República. Amim, por sua vez, já ocupou os cargos de ex-secretário da Polícia Civil do Rio e ex-presidente do Detran do estado.

A defesa de Canella afirmou que não teve acesso à decisão, segundo o jornal Folha de S. Paulo.
Outros quatro policiais civis também foram presos na ação.

Em nota, a corporação disse que “não compactua com qualquer desvio de conduta e adota, de forma rigorosa, as medidas administrativas e disciplinares cabíveis diante de indícios de irregularidades”. Acrescentou atuar de forma integrada com outras forças de segurança e que a Corregedoria-Geral acompanha a operação.

As diligências foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), no âmbito da oitava fase da Operação Unha e Carne.

Segundo a PF, a operação foi o tema da reunião da cúpula do órgão com Moraes no último dia 6, fora de agendas oficiais e que causou desgastes internos no Supremo.

“Além do crime de organização criminosa armada, os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações”, diz.

Canella e Amim haviam sido presos em 7 de julho. Na ocasião, Canella foi preso em flagrante após a PF ter encontrado um fuzil calibre .556 dentro de seu veículo.

Naquela ocasião, Canella negou ser o dono do fuzil que fora encontrado em seu carro. Solto em 10 de julho, os advogados Pierpaolo Cruz Bottini, Sheila Lustosa e Davi Lefer disseram que a prisão não se sustentava, pois a arma era legalizada e registrada em nome do policial militar que fazia a segurança do então pré-candidato ao Senado, e a documentação foi entregue ao Supremo.