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Financiamento bancário a setores de risco ambiental atinge US$ 595 bilhões desde 2020

Relatório da coalizão Forests & Finance aponta falta de salvaguardas em créditos para mineração e agronegócio em florestas tropicais

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Nesta quarta-feira (14), uma pesquisa encomendada por uma coalização de grupos ambientalistas revelou que os bancos emprestaram até US$ 595 bilhões (R$ 2,98 trilhões) desde 2020 para empresas que contribuem para o desmatamento tropical e a destruição de ecossistemas. A avaliação consta no relatório anual Banking on Biodiversity Collapse, produzido pela coalizão Forests & Finance.

Segundo o documento, as instituições financeiras concederam US$ 351 bilhões (R$ 1,76 trilhão) para empresas de commodities agrícolas de alto risco e US$ 244 bilhões (R$ 1,23 trilhão) para empresas de mineração entre 2020 e 2025.

A organização destacou que o impacto dessas atividades no meio ambiente e nas populações locais. “Esses setores são os principais responsáveis pelo desmatamento, pela degradação do solo e pelos conflitos comunitários nas bacias florestais tropicais da América do Sul, do Sudeste Asiático e da África Central e Ocidental”, afirmou a coalizão.

O estudo também aponta falhas na gestão de risco das próprias instituições financeiras. O relatório afirma que os bancos “que emitem os créditos de maior risco ainda não possuem salvaguardas adequadas para mitigar os riscos de danos ambientais e sociais graves”.

No setor de commodities agrícolas, o financiamento anual para riscos florestais acelerou 71% desde 2016, com elevação de US$ 37,9 bilhões (R$ 190,8 bilhões) para US$ 64,7 bilhões (R$ 326,2 bilhões). No período, os aportes para a indústria de carne bovina subiram mais de 50%, os da soja avançaram 137% e os de celulose e papel registraram alta de 157%.

Já os empréstimos e subscrições anuais para empresas de mineração em países ricos em florestas tropicais cresceram 55% entre 2016 e 2025, com salto de US$ 23,7 bilhões (R$ 119,4 bilhões) para US$ 36,7 bilhões (R$ 184,8 bilhões). Os maiores aumentos no financiamento ocorreram nos setores de lítio e níquel.

Desde 2020, os bancos forneceram US$ 67,1 bilhões (R$ 337,7 bilhões) aos setores de celulose e óleo de palma da Indonésia. O aporte contribuiu significantemente para o desmatamento e a drenagem de turfeiras, o que deixou áreas como Kalimantan e Sumatra mais vulneráveis a incêndios e inundações.

A fumaça da temporada de incêndios florestais na Indonésia, a mais intensa dos últimos 11 anos sob impacto do El Niño, causou aumento acentuado de doenças respiratórias e queda drástica na qualidade do ar em Cingapura e na Malásia.

O cenário antecede a nova rodada de negociações sobre biodiversidade global, agendada para começar em Yerevan, na Armênia, em 19 de outubro. O balanço do encontro deve indicar que os países permanecem distantes de atingir as metas de conservação estabelecidas para 2030.