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EUA planejam cobrar taxa de US$70 mil para estudantes de fora trabalharem no país

Segundo DHS, medida busca "combater fraudes, fortalecer integridade do sistema de imigração e proteger trabalhadores dos EUA"

Foto: José Cruz/Agência Brasil

 

O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) dos Estados Unidos propôs que estudantes estrangeiros paguem pelo menos US$70 mil (equivalente a cerca de R$350 mil) em taxas de treinamento caso queiram trabalhar no país, segundo um comunicado do governo publicado online nesta quarta-feira (7).

Pela proposta, estudantes não imigrantes com visto F-1 teriam de pagar US$70 mil a uma instituição certificada por um treinamento prático em serviço, conhecido como Optional Practical Training, ou OPT, e US$30 mil (equivalente a cerca de R$150 mil) por qualquer treinamento profissional adicional.

O Departamento de Segurança Interna afirmou que as novas regras visam “combater fraudes, fortalecer a integridade do sistema de imigração e proteger os trabalhadores dos EUA”.

No sistema OPT, estudantes estrangeiros podem realizar treinamentos profissionais por até 20 horas semanais durante o período letivo, bem como por um tempo limitado após a graduação, com uma permissão adicional para aqueles formados nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

Atualmente, espera-se que os participantes paguem cerca de US$500 (equivalente a cerca de R$2.500).

“O DHS está agora estabelecendo uma taxa para garantir que empregadores, estudantes e instituições realizem atividades adequadas e compatíveis com a admissão como não imigrante F-1”, declarou a agência.

Esses programas de treinamento frequentemente servem como uma ponte para estudantes que buscam trabalhar com vistos H-1B, categoria que também tem sido alvo de taxas mais elevadas por parte da administração Trump.

Durante décadas, o programa H-1B permitiu que jovens engenheiros e cientistas de todo o mundo, especialmente da Índia e da China, transformassem anos de estudo em universidades americanas em empregos bem remunerados e em um caminho para a residência permanente nos EUA.

Assim como outras propostas semelhantes do DHS, é provável que essa mudança na regra enfrente contestações judiciais imediatas.

“Essa proposta de regra não terá sucesso nos tribunais, assim como a taxa de US$ 100 mil (equivalente a cerca de R$ 500 mil) para vistos H-1B e outras políticas restritivas foram derrubadas”, escreveu nesta quarta-feira, no LinkedIn, Doug Rand, diretor do Talent Mobility Fund, organização que trabalha para atrair profissionais estrangeiros das áreas de Stem (ciência, tecnologia, engenharia e matemática).

A proposta passará por um período de 30 dias de consulta pública antes de ser finalizada. O DHS informou que aguardará 60 dias após a finalização antes de colocar a regra em vigor, para dar tempo a instituições de ensino, estudantes e empregadores para se prepararem.