JUSTIÇA


Decisões de Nunes Marques sobre movimentos pró-Lula geram impasse no tribunal

Medidas adotadas por ministro dividem bastidores da Justiça Eleitoral; Ministros temem que atuação exceda limites de fiscalização

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A atuação do ministro Kassio Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tem gerado divergências nos bastidores da Corte no caso do grupo “Exército do Lula”. Auxiliares de integrantes do tribunal avaliam que as determinações do magistrado extrapolam os limites da fiscalização eleitoral. A informação é do Correio Braziliense.

Segundo as fontes do Correio, integrantes da Corte questionam a exigência de prestação de informações por grupos criados espontaneamente por pessoas físicas. Na avaliação desses interlocutores, a imposição desse tipo de obrigação inviabilizaria a administração dos trabalhos pelo TSE. A medida também criaria barreiras à participação política dos cidadãos.

A análise técnica diferencia a mobilização espontânea de ferramentas geridas por candidaturas oficiais. O “Exército do Lula” opera de forma independente e não integrava a estrutura oficial da campanha do atual Presidente da República. Auxiliares do tribunal defendem o respeito a essa distinção antes do estabelecimento de restrições.

Nos bastidores, o posicionamento do magistrado é interpretado sob viés político. A leitura interna aponta rigor superior contra ações favoráveis ao adversário de Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), responsável pela indicação de Nunes Marques ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A principal preocupação manifestada na Corte envolve o risco de criação de precedentes negativos. Integrantes do tribunal ressaltam a necessidade de separar o combate a irregularidades da imposição de limites à livre organização social.