JUSTIÇA


Polícia Federal aciona cooperação com Estados Unidos para rastrear recursos do Dark Horse

Solicitação busca identificar se o dinheiro, vindo de Daniel Vorcaro, teria ido repasse final para Eduardo Bolsonaro

Foto: Flickr/Eduardo Bolsonaro

A Polícia Federal enviou ao Departamento de Recuperação Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), do Ministério da Justiça, um pedido de cooperação com autoridades dos Estados Unidos nesta sexta-feira (9). A corporação busca rastrear o destino do dinheiro remetido ao exterior sob justificativa de financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente condenado Jair Bolsonaro (PL).

A apuração integra o inquérito do Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O senador e candidato à República Flávio Bolsonaro (PL) figura entre os investigados por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A corporação apura se os valores, desviados do Master, tiveram como destino o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), que reside nos Estados Unidos.

As remessas internacionais constituem o foco principal da delação premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, apontado como um dos operadores financeiros de Daniel Vorcaro. A colaboração premiada recebeu validação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 9 de setembro.

Em seu depoimento, Mineiro afirmou que executou repasses ao Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado Paulo Calixto, ligado a Eduardo Bolsonaro. O delator declarou que desconhecia o destino final dos valores e que desconfiava de um direcionamento para um empreendimento imobiliário voltado a brasileiros no Texas, finalidade original do fundo.

Segundo reportagem do site The Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro negociou com Daniel Vorcaro o repasse de pelo menos US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 122,7 milhões) para a realização da obra audiovisual.

Flávio nega qualquer irregularidade e afirma que a produção utilizou recursos privados. O senador declarou que defende “transparência total sobre o assunto” e que “não tem nada de errado em relação ao filme”.

A investigação corre sob a relatoria de André Mendonça no STF, mas as decisões judiciais do processo estão paralisadas desde setembro. Na ocasião, em meio a uma crise na corte, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, determinou a remessa de todo o material do caso Master ao seu gabinete.