JUSTIÇA


STF determina prisão de Eduardo Bolsonaro para início de cumprimento de pena

Decisão inclui o cancelamento de passaportes brasileiros e suspensão de direitos políticos do ex-deputado federal

Foto: Flickr/Eduardo Bolsonaro

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou, nesta quarta-feira (7), o início do cumprimento da pena de 4 anos e 2 meses de prisão do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A medida, estabelecida pelo ministro Alexandre de Moraes, prevê o regime inicial semiaberto pelo crime de coação no curso do processo.

Moraes ordenou a expedição da ordem de prisão direcionada à Polícia Federal e a inclusão do nome do ex-parlamentar no Banco Nacional de Monitoramento de Prisões (BNMP). O magistrado registrou no despacho: “Expeça-se o mandado de prisão, destinado à Polícia Federal, bem como a inclusão do mandado no Banco Nacional de Monitoramento de Prisões (BNMP)”.

A Secretaria Judiciária da Corte certificou a conclusão do processo na segunda-feira (5), após o trânsito em julgado no sábado (3). Na decisão, o ministro também decretou o cancelamento de todos os passaportes brasileiros emitidos em nome do ex-deputado, que reside nos Estados Unidos desde 2025.

A Primeira Turma do STF condenou o ex-parlamentar por unanimidade em junho. Os ministros concluíram que ele cometeu o crime de coação ao atuar para interferir no julgamento do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no processo sobre a trama golpista.

Segundo o acórdão, Eduardo Bolsonaro utilizou o cargo de deputado federal para buscar sanções dos Estados Unidos contra o Brasil, ministros do STF e o procurador-geral da República. Documentos, registros digitais e manifestações públicas comprovaram a autoria e a materialidade do delito.

Em setembro, a Primeira Turma rejeitou por unanimidade os embargos de declaração apresentados pela Defensoria Pública da União (DPU). Os ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin acompanharam o voto do relator Alexandre de Moraes.

Além do mandado de prisão e da anulação dos passaportes, Moraes determinou a abertura do procedimento de execução penal. O despacho ordenou o envio da documentação à Procuradoria-Geral da República (PGR) para a cobrança de 50 dias-multa, com cada dia equivalente a dois salários mínimos.

O magistrado mandou comunicar a decisão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os direitos políticos de Eduardo Bolsonaro ficam suspensos enquanto durarem os efeitos da condenação criminal definitiva.

A decisão também notificou o diretor-geral da Polícia Federal para a execução de medidas referentes à perda do cargo de escrivão da PF. A sanção é um dos efeitos previstos na condenação.