ECONOMIA


Agência eleva projeção do Brasil e Ibovespa pode chegar a 250 mil pontos

Morgan Stanley elevou ações do Brasil de neutra para "overweight" e aumentou índice de volatilidade de suas carteiras brasileira e latino-americana

Foto: Pixabay

 

Após a forte alta das ações brasileiras na última segunda-feira (5), o Morgan Stanley projeta ganhos adicionais de 15% a 20% para a Bolsa até o final de 2026, além de enxergar espaço para novos avanços em 2027 em direção ao seu cenário otimista de 250 mil pontos para o Ibovespa.

No cenário otimista, a moeda americana poderia chegar a R$4,50. O nível de R$4,50, contudo, não é apresentado como cenário-base do banco, uma vez que representa o extremo positivo de uma análise que relaciona diferentes níveis do Ibovespa, múltiplos da Bolsa e câmbio.

No outro extremo, o cenário pessimista contempla dólar a R$6 e Ibovespa a 130 mil pontos. Já o cenário-base é de Ibovespa a 215 mil pontos.

Assim, após o JPMorgan, o Morgan Stanley elevou as ações do Brasil de neutra para overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) e aumentou o beta (índice de volatilidade) de suas carteiras brasileira e latino-americana.

Para os estrategistas, o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, com a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Lula (PT), ampliou a possibilidade de mudança na política econômica e abriu espaço para o que chamam de“Great Rebalancing”, um grande rebalanceamento da economia e dos mercados brasileiros, da dívida para ações e investimentos.

Segundo a casa, a consolidação fiscal é condição indispensável para esse processo e, se a percepção de risco continuar em queda, o Morgan Stanley vê potencial para as ações brasileiras avançarem mais cerca de 10% e para o real se valorizar outros 10% até o fim do ano, além do movimento já ocorrido.

A ideia central é que juros menores e redução do prêmio de risco possam desencadear dois movimentos simultâneos: no mercado financeiro, capital deixaria gradualmente a renda fixa em direção às ações; na economia real, o crescimento migraria de um modelo sustentado pelo gasto público e consumo para outro com participação maior do investimento privado.

Num cenário em que a participação dos fundos de ações no patrimônio da indústria retornasse ao pico histórico de 15%, o Morgan Stanley estima uma entrada potencial de cerca de R$945 bilhões, arredondada pelo banco para aproximadamente R$ 950 bilhões. Se a participação voltasse a 12%, o fluxo potencial seria de R$ 615 bilhões; em um cenário mais conservador de 8%, de R$ 176 bilhões.

Nesse cenário de retorno do investidor doméstico, o Morgan Stanley afirma preferir o Ibovespa ao MSCI Brazil, índice que possui participação maior de investidores estrangeiros.

O argumento está na composição dos índices. Cerca de 90% do Ibovespa é formado por ações que também pertencem ao MSCI Brazil, mas existem diferenças setoriais importantes. As utilities representam cerca de 15% do Ibovespa, ante aproximadamente 11% do MSCI Brazil, enquanto os bancos e demais financeiras representam perto de 40% do MSCI Brazil e 27% do Ibovespa.

Segundo o banco, essas diferenças tornam o índice local mais sensível aos juros, característica relevante em um cenário de queda das taxas.

Entre os papéis com recomendação overweight que mais poderiam receber recursos locais em relação à liquidez negociada, a instituição chama atenção para Smart Fit (SMFT3), Vibra (VBBR3) e BTG Pactual (BPAC11).