BRASIL


Brasil gasta bem menos por aluno que a média da OCDE 

País destina 4,3% do PIB à educação, acima da média da organização, mas investimento por estudante segue distante do padrão internacional 

Foto: Douglas Lopes/Assessoria

O Brasil investe, em média, US$ 4.999 por aluno por ano na educação básica, cerca de um terço dos US$ 13.432 registrados pela média dos países da OCDE. Os dados são de 2023 e constam no relatório Education at a Glance 2026, divulgado nesta terça-feira (29). 

Os valores são calculados em dólares pela paridade do poder de compra, o que permite comparar países com diferentes moedas e custos de vida. O cálculo considera o gasto público por estudante da educação primária ao ensino secundário e pós-secundário não terciário. 

Na América Latina, o Brasil também fica atrás de Argentina (US$ 5.313) e Chile (US$ 7.895). O México aparece abaixo, com US$ 2.703 por aluno. 

PIB x gasto por estudante 

Apesar do baixo investimento por aluno, o Brasil destina uma parcela maior de sua riqueza à educação pública. Entre os níveis primário e terciário, o país aplicou 4,3% do PIB, contra 3,6% na média da OCDE. 

Segundo a organização, os dois indicadores não são diretamente equivalentes. População atendida, renda média e nível de riqueza ajudam a explicar por que um país pode comprometer uma parcela maior do PIB com educação e, ainda assim, gastar menos por estudante. 

O relatório também destaca que mais recursos, isoladamente, não garantem melhores resultados. Formação de professores, infraestrutura, tamanho das turmas, condições socioeconômicas e organização do sistema também influenciam o desempenho educacional. 

Ensino superior 

No ensino superior, a distância é ainda maior. O gasto público brasileiro foi de US$ 3.765 por estudante em 2022, enquanto a média da OCDE chegou a US$ 15.102. Nesse cálculo estão incluídos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, que elevam os custos das universidades. 

Os números mostram, portanto, que a comparação do financiamento educacional vai além da parcela do PIB. O valor disponível por estudante e a forma como os recursos são utilizados também são importantes para avaliar os desafios do ensino no país.