POLÍTICA


PF encontra mensagens de Vorcaro sobre Otto Alencar em celular apreendido: ‘Senador está com saudades de você’

Segundo relatório, ex-dono do Banco Master chamava senador de “conselheiro” e recebia recados por meio de advogado; Otto nega encontros presenciais com banqueiro

Fotos: Geraldo Magela/Agência Senado e Reprodução/Redes Sociais

 

A Polícia Federal identificou em um dos celulares do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, menções que ele fazia ao senador Otto Alencar (PSD-BA).

De acordo com a PF, Vorcaro tratava Otto como seu “conselheiro” e recebia, por meio de um advogado, recados frequentes atribuídos ao parlamentar. O material também revela tentativas de marcar reuniões presenciais entre o dono do Master e o congressista, que nega ter se reunido com Vorcaro.

As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo.

De acordo com a reportagem, um relatório da corporação aponta que o advogado Ciro Soares, que atuava para Vorcaro e tinha relação pessoal com integrantes dos três Poderes, atuava como intermediário entre o banqueiro e o parlamentar.

O advogado, segundo os investigadores, avisava Vorcaro quando estava reunido com Otto, enviava fotos ao lado do parlamentar e ligava para o banqueiro para transmitir “recados” do senador.

Ao Globo, Otto disse que nunca esteve com Vorcaro nem falou com o dono do Master. Soares, que também não é alvo de inquéritos relacionados ao caso Master, disse que seria “natural uma reunião entre líder político e líder empresarial”, mas que não “houve almoço ou encontros” entre o banqueiro e o senador organizados por ele.

“Nunca o vi ou troquei mensagem. Não (fez ligações ou teve qualquer outro contato). Nunca fui em festa, Londres ou intermediei conversa com Vorcaro nem absolutamente ninguém. Nunca fui em rega bofe desses caras”, disse Otto.

Em um dos diálogos, datado do dia 30 de maio de 2024, Soares disse que Otto queria falar com Vorcaro.

“Otto queria falar com vc”, disse Soares em mensagem a Vorcaro.

“Me chama”, respondeu o banqueiro.

Após uma ligação perdida, Vorcaro retomou a conversa.

“Mande abraço pro nosso comandante aí. Esse aí é conselheiro e comandante nosso”, afirmou o dono do Master.

Na época, Otto integrava as comissões de Constituição e Justiça (CCJ), considerada uma das mais importantes do Senado e hoje presidida por ele, e de Assuntos Econômicos (CAE), responsável por analisar projetos de interesse do setor financeiro.

Alguns meses depois, no dia de dezembro de 2024, Soares disse a Vorcaro que eles precisavam conversar sobre uma medida tomada pelo senador, sem detalhar do que se tratava.

“Dani, muito importante falarmos. Otto fez um movimento grande pra vc. Ficou lhe aguardando ontem e hj”, afirmou o advogado.

“Estou num momento muito complicado, amigo”, justificou o banqueiro.

Outros diálogos aconteceram ao decorrer de 2025, ano em que Otto assumiu a presidência da CCJ.

“Tô aqui com Otto agora. Perguntando de vc”, afirmou o advogado no dia 12 de novembro de 2025.

“Manda abraço pra ele. Estamos construindo virada de mesa. Mas precisarei de vocês”, disse Vorcaro.

“Hoje ele (Otto) botou pra f*der na sabatina”, respondeu Soares, em referência à recondução do procurador-geral da República, Paulo Gonet, aprovada naquele dia.

Ainda de acordo com a PF, Soares ligava para Vorcaro com frequência quando estava acompanhado pelo senador e enviava fotos ao lado de Otto.

No dia 19 de junho de 2025, o advogado telefonou para Vorcaro, que não atendeu.

“Ottão está dizendo que está com saudades de vc”, afirmou o defensor.

“E eu tô dele”, respondeu o dono do Master.

Após isso, Soares afirmou que estava convencendo o senador a fazer a viagem, e Vorcaro concordou.

“Tem que ir. Vamos tomar os top Macallan”, disse o banqueiro, em referência ao uísque.

“Ele gosta da gente. O cara lhe adora também”, afirmou Soares.

Ainda ao O Globo, Otto afirmou que falou com Soares e lembrou que conversou com Vorcaro “duas ou três vezes por telefone”, por meio do aparelho do advogado.

Segundo Otto, Vorcaro pediu apoio à aprovação do texto que ficou conhecido como “emenda Master”, que ampliava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite oferecido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).