AGRO


Clima e geopolítica encarecem alimentos e açúcar avança 24% no Brasil

índice global da FAO subiu 2,2% em agosto deste ano, impulsionado pelo valor extremo e pela alta nas cotações dos grãos e lácteos

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O índice de preços dos alimentos da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) registrou uma alta média mundial de 2,2% em agosto. O resultado decorre do impacto do El Niño, de questões geopolíticas e de dúvidas sobre o rendimento das safras globais.

O açúcar liderou o encarecimento global com uma alta de 12% no mês. No mercado brasileiro, os preços acumulados do produto subiram 24%, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

A alta das cotações ocorreu devido à perspectiva de menor produtividade no Brasil e na União Europeia, além da isenção de impostos de importação concedida pela Índia.

O arroz registrou elevação de 0,5% na média mundial e de 14% no Brasil em agosto. O movimento no mercado nacional reflete a chegada da entressafra e a perspectiva de redução na área de plantio.

O milho avançou 2,5% no índice global e subiu 8% no Brasil. A alta foi sustentada pelas incertezas sobre a produção no Meio-Oeste dos Estados Unidos, pela seca na Europa e pelo uso do grão para etanol.

Os óleos vegetais subiram 0,6% no mundo sob o impacto do El Niño no Sudeste Asiático e das oscilações do petróleo. O uso do óleo de soja para biocombustíveis nos Estados Unidos também pressionou o setor.

As carnes tiveram alta média de 1% no mercado global. A variação no índice mundial só não foi maior devido à queda nos preços das carnes bovina e suína.

No Brasil, a carne bovina caiu 1% com o preenchimento da cota chinesa de 1,1 milhão de toneladas. A carne suína seguiu em queda com o mercado chinês abastecido, enquanto o frango subiu com recordes de exportação.

Os lácteos ficaram 2,3% mais caros no mundo, valor 22% inferior ao patamar de um ano atrás. O aumento da produção na Nova Zelândia não compensou o clima adverso na União Europeia, enquanto o leite subiu 4,7% no campo brasileiro.

O setor produtivo enfrenta incertezas para o final do ano. Conflitos geopolíticos no mar Negro e no Oriente Médio somam-se ao calor forte e ao El Niño nas principais regiões agrícolas.