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Estudos indicam avanço da rastreabilidade bovina no Pará, mas passivo ambiental limita produtores

Relatório do Imaflora e parceiros projeta salto na identificação do gado até 2030 e aponta recusa de pecuaristas em assentamento

Foto: Assessoria/MAPA

O instituto de Manejo e certificação Florestal e agrícola (Imaflora), a Amigos da Terra (AdT0 e a Fundação Solidaridad apresentaram, nesta terça-feira (1), os resultados de dois projetos-piloto de rastreabilidade bovina e requalificação de políticas públicas para a cadeia pecuária brasileira com foco no engajamento de fornecedores e produtores familiares.

Elaborado pela AdT, o estudo de escalabilidade disponibilizou 70 mil brincos de identificação e registrou 26 mil cabeças de gado. A ação atendeu 59 pecuaristas e 14 municípios d sudoeste paranaense, dos quais 51 possuem pequeno ou médio porte com área média de 359 hectares.

A coordenadora do Programa de Cadeias Agropecuárias da AdT, Natália Grossi, afirmou que a adesão em frigoríficos médios podem elevar a identificação bovina estadual de 0,2% em 2025 para 30,2% em 2030, o equivalente a 7,5 milhões de animais. “Foram vinte meses de duração desse piloto, com o objetivo de impulsionar a adesão dos fornecedores de frigoríficos à rastreabilidade individual estadual e também de forma associada ao monitoramento socioambiental”, declarou Grossi.

O segundo projeto-piloto, conduzido pela Fundação Solidaridad no assentamento Tuerê, em Novo repartimento (PA), analisou a viabilidade de adequação das famílias à requalificação comercial. Das 96 propriedades visitas, 73 produtores recusaram o projeto, 17 ficaram indecisos e apenas seis aceitaram a proposta.

O gerente de Programas da Fundação Solidaridad, Paulo Lima, explicou que a resistência decorre do uso de 29,2 hectares destinados a passivos ambientais, espaço que representa 44% das propriedades. O cumprimento dessas obrigações financeiras e legais para a restauração ambiental exige investimentos que afastam os produtores.

Segundo o levantamento, 38 pecuaristas condicionaram a entrada no programa a mudanças nas regras de restauração. “Dos 38 produtores que não aderiram, 23 disseram que o único motivo foi o fato de a área de pastagem em que haviam acabado de investir e fazer a reforma (justamente a mais produtiva da propriedade) estar localizada em uma área de passivo ambiental. Isso indica algo que já observávamos: a localização do passivo ambiental pode ser um empecilho para a adesão”, afirmou Lima.