POLÍTICA


Doações às campanhas de Bolsonaro e Tarcísio foram propina, diz Vorcaro

Segundo reportagem do UOL, ex-banqueiro afirma que R$5 milhões destinados às campanhas de 2022 estariam ligados a suposto acordo para manter Credcesta no governo paulista

Fotos: Ton Molina/STF; Assessoria/Banco Master; Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em sua proposta de delação premiada, que R$5 milhões doados às campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2022 teriam sido parte de uma negociação de propina relacionada à manutenção do Credcesta no Governo de São Paulo.

Do total, R$3 milhões foram destinados à campanha de reeleição de Bolsonaro e R$2 milhões à candidatura de Tarcísio ao governo paulista. As doações foram feitas formalmente por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e também investigado na Operação Compliance Zero.

Na versão apresentada por Vorcaro, os pagamentos seriam “contrapartidas financeiras” decorrentes de um “ajuste indevido com Gilberto Kassab para a manutenção do Credcesta no governo Tarcísio”.

Segundo o empresário, a articulação para manter o Credcesta no governo paulista começou após a eleição de 2022, quando Augusto Lima, responsável pela operação do produto dentro do grupo, buscou garantir a continuidade do negócio na nova gestão.

Além dos R$5 milhões repassados oficialmente às campanhas de Bolsonaro e Tarcísio, Vorcaro relatou uma suposta previsão de cerca de R$10 milhões em pagamentos informais, em espécie, a pessoas interpostas ligadas a Kassab.

O ex-banqueiro relatou que o dinheiro teria sido entregue por Thiago Botelho, conhecido como Papel, e seria destinado a campanhas do PSD. Na proposta de delação, Vorcaro afirmou que acionou Fabiano Zettel para realizar as doações oficiais destinadas a Bolsonaro e Tarcísio.

Vorcaro sustentou que Zettel não conhecia as supostas motivações por trás dos pagamentos. Segundo o relato, o cunhado aceitou realizar os repasses por ter interesses ideológicos semelhantes aos dos candidatos e utilizar valores provenientes de negócios que mantinha com o banqueiro.

O Credcesta é um cartão de crédito consignado operado pela PKL One Participações, empresa associada ao Master e ligada a familiares de Augusto Lima. A operação passou a funcionar em São Paulo em 2022 e se tornou um dos principais negócios do grupo de Vorcaro. Segundo a proposta de delação, a continuidade e a expansão do produto em diferentes estados dependeriam do pagamento de vantagens a políticos e intermediários locais.

Vorcaro afirmou ainda que as contrapartidas previstas no suposto acordo foram cumpridas e que o Credcesta permaneceu ligado ao governo paulista por mais de um ano. A situação mudou em dezembro de 2024, quando Tarcísio editou um decreto ampliando o mercado de crédito consignado para outras instituições.