POLÍTICA


Vorcaro ameaça delatar grupo de Lula e chefe da PF por apoio de Mendonça

Em depoimento prestado ao gabinete do ministro, empresário citou várias vezes ter informações sobre políticos do governo atual e fez do diretor-geral da PF seu principal alvo

Fotos: Andressa Anholete/Agência Senado; Assessoria/Banco Master; Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

Em busca de uma delação para deixar a cadeia, o banqueiro Daniel Vorcaro tentou atrair o apoio do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao citar a intenção de delatar integrantes do governo Lula, se dizer vítima de um complô e mirar o chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Em depoimento prestado ao gabinete do ministro na última quinta-feira (27), ele citou várias vezes ter informações sobre políticos do atual governo para relatar em uma delação e fez de Andrei seu principal alvo.

O jornal O Estado de S.Paulo revelou os primeiros trechos do depoimento, e o UOL teve acesso à íntegra da oitiva.
Daniel Vorcaro afirmou, no depoimento, que sofreu intimidações de agentes da Polícia Federal. Disse que, em um dos transportes, sofreu “torturas, de me deixarem em um caixote por seis horas, sem ar, suando”.

A pedido do banqueiro, a PF não participou da reunião. O empresário afirmou que a colaboração na Polícia Federal não teve sucesso porque haveria uma pressão da cúpula da corporação. O único nome destacado por Vorcaro foi o de Andrei Rodrigues.

Ele afirmou ter desenvolvido uma relação amistosa com o delegado. “Não chegou a amizade, mas uma relação de estar em eventos conjuntos, de estar em eventos de charuto, juiz, de ter uma tratativa cordial, amistosa, de ir com a família em eventos do banco, convites para eventos de Fórmula 1, de outras coisas”, declarou.

Rodrigues não se manifestou até o momento. A nova postura de Vorcaro vem após mudanças na sua defesa, com a entrada do advogado Daniel Bialski, e após duas tentativas fracassadas de tentar uma delação premiada com a PF e a PGR. Ambas as instituições alegaram que os detalhes trazidos por Vorcaro em sua colaboração eram insatisfatórios.

A tentativa foi barrada pela PGR, que em manifestação após o depoimento negou um novo acordo de colaboração sob o argumento de que Vorcaro não apresentou nenhuma informação nova ou prova sobre suas falas.