ECONOMIA


Uber anuncia demissão de 3,3 mil pessoas, maior corte desde pandemia

Empresa planeja investir mais ⁠de US$10 bilhões em robotáxis nos próximos anos; Segundo presidente-executivo, cortes não estão relacionados ao crescimento da IA na corporação

Foto: Assessoria/Uber

 

A Uber Technologies vai demitir cerca de 3.300 funcionários, ou 10% do seu quadro de pessoal, no maior corte desde o início da pandemia ​de Covid-19, para lidar melhor com o crescimento dos robotáxis que ameaçam o seu ​negócio de transporte por aplicativo.

Em um comunicado aos funcionários nesta quarta-feira (2), o presidente-executivo Dara Khosrowshahi afirmou que os cortes devem reduzir a complexidade organizacional que foi construída durante um período de rápido crescimento, mas que agora está se mostrando um obstáculo à tomada de decisões.

Khosrowshahi negou qualquer influência do crescimento da Inteligência Artificial na empresa. “Uma organização mais enxuta significará responsabilidades mais claras, decisões mais rápidas ​e mais tempo dedicado à construção em vez da coordenação. Também gerará economias que pretendemos reinvestir em crescimento, inovação e nas competências que serão mais importantes nos próximos anos”, declarou.

O desempenho das ações da Uber ficou abaixo do índice S&P 500 e da concorrente Lyft este ano, com uma ​queda ‌de quase 8%, impulsionada por preocupações com o aumento da concorrência.

DoorDash, Instacart e as plataformas de entrega locais têm pressionado o Uber Eats, ⁠forçando a empresa a recorrer a acordos como a aquisição da Delivery Hero, avaliada em US$14,8 bilhões, para ganhar escala e competir melhor.

Parte da preocupação surge de relatos da crescente tensão entre a Uber e a Waymo, a maior operadora de robotáxis dos EUA, que utiliza o ‌aplicativo ⁠da Uber para operar ‌seus carros em Austin e Atlanta. Para defender sua posição, a Uber planeja investir mais ⁠de US$10 bilhões em robotáxis nos próximos anos, apoiando as empresas que desenvolvem sistemas de direção autônoma e se posicionando como um mercado de referência para viagens ‌sem motorista.

“À medida que a tecnologia de veículos autônomos e os relacionamentos crescem e se expandem, é necessário um tipo diferente de funcionário para escalar esse negócio, em comparação com um modelo baseado em motoristas humanos e todos os custos operacionais envolvidos, incluindo as camadas de gestão”, disse Adam Ballantyne, analista da Cambiar Investors, acionista da Uber.

Como parte da reestruturação anunciada na quarta-feira, ‌a Uber reduzirá em 20% o número de funcionários que ocupam sete ou mais níveis hierárquicos abaixo do presidente-executivo e cortará pela metade o número de equipes com apenas um ou dois subordinados diretos.

A empresa também combinará algumas equipes e concentrará ⁠grande parte de sua equipe em centros estratégicos, além de limitar as funções totalmente remotas a cerca de 1% dos funcionários, mantendo, ao mesmo tempo, a política de três dias de trabalho presencial no escritório.

As demissões em massa, divulgadas inicialmente pela Bloomberg News, são as maiores ​da Uber desde maio de 2020, quando um colapso na demanda causado pela pandemia a obrigou a cortar 6.700 empregos, ou quase um ​quarto de sua equipe.