ECONOMIA


Com menor oferta do Brasil, cotação do açúcar atinge máxima de 16 meses com risco de déficit global

Contrato de outubro encerra a 18,70 centavos por libra-peso em Nova York, impulsionado por revisões nas safras das principais regiões produtoras

Foto: ANBA

Os preços do açúcar fecharam em alta no mercado internacional nesta quarta-feira (2). O contrato da Bolsa de Nova York subiu 3 pontos e fechou a 18,70 centavos de dólar por libra-peso, no maior patamar em quase 16 meses, diante de projeções de déficit global na safra de 2026/27.

Na Bolsa de Londres, o vencimento de outubro avançou 520 pontos e encerrou a US$ 539,20 por tonelada. A valorização reflete a revisão nas estimativas de oferta de importantes produtores internacionais, com destaque para o cenário operacional brasileiro.

No Brasil, maior produtor mundial da commodity, a produção do Centro-Sul caiu 26,3% em junho para 3,903 milhões de toneladas, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica). A maior atratividade do etanol faz as usinas destinarem mais cana ao biocombustível, o que reduz a disponibilidade do açúcar no mercado.

A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projetou um déficit global de 200 mil toneladas para o ciclo 2026/27. O número reverte o superávit de 1,1 milhão de toneladas estimado para a temporada 2025/26, com previsão de produção mundial de 180,1 milhões de toneladas.

Consultorias privadas também revisaram os números do mercado internacional. A Czarnikow alterou a projeção de superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas, enquanto a StoneX elevou a estimativa de escassez de 550 mil para 1,7 milhão de toneladas.

Na Europa, o Observatório do Mercado de açúcar da União Europeia calcula uma queda de 19% na safra de 2026/27, com volume total fixo em 13,4 milhões de toneladas. A seca e as altas temperaturas prejudicaram o desenvolvimento das lavouras de beterraba na região.

A situação na Índia reforça os riscos sobre a oferta global da commodity. Com chuvas de monções 13% abaixo da média histórica até 2 de setembro, a Direção-Geral de Comércio Exterior do país autorizou a importação isenta de impostos de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto.

O movimento de alta conta com o suporte do posicionamento dos investidores nas bolsas. Dados do relatório Commitment of Traders (COT) indicam que os fundos elevaram as posições líquidas compradas em Londres para o recorde de 70.766 contratos na última semana de agosto.