ECONOMIA


Balanços do 2º trimestre dividem analistas e mantêm mercado em alerta

Itaú BBA e XP projetam cenário de cautela para os resultados corporativos diante da ausência de sinais para a reversão do desempenho das empresas na Bolsa

Foto: Divulgação

Casas de análise como Itaú BBA e XP Investimentos projetam cautela para os próximos meses após a divulgação dos balanços financeiros no segundo trimestre. A avaliação mista do mercado decorre da ausência de sinais sobre a reversão do desempenho corporativo visto até então.

Para o Itaú BBA, o desempenho das companhias no período registrou perfil misto, com números acima do esperado e a maioria dos analistas com classificação “neutro” para os dados. Parte do mercado aponta superação das expectativas, enquanto outra ala observa decepção no balanço geral.

A instituição financeira também alertou para os riscos referentes às projeções futuras. “Ainda vemos risco de novas revisões negativas para as estimativas de consenso de mercado”, cita o Itaú BBA.

Na análise restrita ao Ibovespa, o lucro líquido das companhias ficou 8,2% acima do esperado. O Ebitda superou as estimativas em 2,5% e a receita apresentou resultado 2,4% melhor do que as previsões.

No recorte por setores, o Itaú BBA destacou de forma positiva as empresas de bens de capital, exploração de petróleo e gás, transporte e logística, além de shopping centers e propriedades.

Em sentido oposto, o setor varejista apareceu como o principal destaque negativo. O segmento apresentou lucro líquido 18,5% abaixo das expectativas e queda de 10,7% em base anual.

No somatório das empresas acompanhadas pelo banco, a distribuição dos resultados refletiu a divergência de desempenho. “No agregado, 44,8% das companhias sob nossa cobertura reportaram lucro líquido acima das projeções, 28,4% ficaram em linha e 26,9% vieram abaixo do esperado”, cita o documento.

Em uma perspectiva mais pessimista, a XP Investimentos classificou os dados do segundo trimestre como “decepcionantes”, segundo matéria da CNN Brasil. A instituição identificou queda no percentual de companhias que superaram as expectativas de lucro e Ebitda em comparação com o trimestre anterior.

O relatório da corretora destacou a fragilidade no volume de surpresas positivas do período. “Vemos o 2T26 como mais uma temporada fraca de resultados no Brasil, com a parcela de surpresas positivas permanecendo em níveis historicamente baixos”, afirma o relatório da XP.

Na análise agregada da XP, as empresas cobertas reportaram receitas líquidas 0,9% acima das estimativas. A surpresa no Ebitda alcançou +3,4% e o lucro líquido ficou +6,1% acima do previsto, em grande parte explicada por Óleo & Gás.

A corretora também detalhou os resultados de acordo com os setores da economia. “No nível setorial, Bens de Capital, Propriedades Comerciais, Óleo & Gás, Varejo e Transportes apresentaram surpresas positivas nas três principais métricas, enquanto Saneamento, Utilidade Pública e Construção Civil ficaram entre os principais destaques negativos”, detalha o documento.