POLÍTICA


Flávio Bolsonaro chama Moraes de ‘articulador de Lula’ e nega explicações sobre caso Master

Candidato do PL afirma que impeachment de ministros cabe ao Senado e condiciona participação em debates à presença do adversário

Foto: Agência Senado

O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta terça-feira (11), em coletiva no QG de sua campanha, que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes atua como “articulador do Lula”. A declaração ocorreu após o magistrado sediar um jantar entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União).

​No local da coletiva, o candidato recebeu postulantes ao Senado para a gravação de vídeos de propaganda eleitoral. Ao responder sobre a presença do ministro em discursos de correligionários, Flávio declarou: “Alexandre de Moraes virou o grande articulador do Lula, promovendo encontro dentro da casa dele”.

O jantar na residência do magistrado buscou um acordo com Alcolumbre e o apoio à reeleição de Hugo Motta (Republicanos) na presidência da Câmara em 2027. Lula e Alcolumbre mantêm relações cortadas desde o fim de abril, após os senadores rejeitarem a indicação do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, ao STF.

​Flávio declarou que o impeachment do magistrado virou pauta eleitoral e perguntou aos candidatos presentes se eram favoráveis à medida, ao que responderam com gritos de “Fora, Moraes”. “Eles vão ser cobrados nas eleições por isso”, disse. O candidato evitou defender o impedimento de forma direta e ressaltou que a atribuição de depor ministros da Corte pertence ao Senado, e não à Presidência da República.

​Em 18 de julho, durante evento em Vitória (ES), Flávio discursou contra o ministro e o classificou como sem alma. Na ocasião, declarou: “Grande parte do povo brasileiro este ano vai escolher senadores que são favoráveis ao impeachment do Alexandre de Moraes”. O PL confirmou 33 candidaturas ao Senado e, desse total, ao menos 27 defendem o impedimento de Moraes.

Em relação às investigações sobre o caso Master, Flávio Bolsonaro afirmou que “não deve explicações” e atribuiu a Lula a obrigação de esclarecer o escândalo no INSS. O filho do presidente, Fábio Luís (Lulinha), é alvo de quatro investigações da Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência. Em outra frente, o senador Jaques Wagner (PT-BA) passa por apuração por suspeita de recebimento de propina do Banco Master.

​“Quem deve explicações é o Lula. É o filho dele que está sendo acusado de roubar os aposentados do INSS. É o Lula que tem que explicar o que ele vai fazer numa reunião, o presidente da República junto com o Augusto Lima e outros, Gabriel Galípolo, dizendo: ‘Não vende o banco agora para outro banco, porque a gente vai trocar o presidente do Banco Central e vamos resolver a sua situação’. Grandes figurões do PT é que devem explicações. Eu não devo explicação nenhuma”, declarou Flávio ao ser indagado sobre a clareza do caso perante o eleitorado.

​Em maio, o portal Intercept Brasil divulgou áudios enviados por Flávio ao proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, com pedido de R$ 134 milhões para o financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador nega o desvio do montante para outra finalidade. Sobre os debates eleitorais, Flávio condicionou sua participação à presença de Lula, após faltar à sabatina do G1 e da GloboNews em razão da ausência do adversário. “Onde Lula estiver, nós estaremos com ele”, afirmou.