MUNDO


Lula e Putin tratam de cooperação bilateral e conflitos internacionais por telefone

Em conversa de aproximadamente uma hora, o presidente brasileiro defendeu o comércio de insumos e a atuação conjunta em organismos multilaterais

Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone, nesta terça-feira (4), com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. A chamada durou cerca de uma hora e abordou a parceria bilateral entre os países em setores estratégicos, além de posicionamentos sobre negociações globais de paz.

Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, os chefes de Estado revisaram a pauta diplomática entre Brasília e Moscou. Conforme o documento, “os presidentes reforçaram o caráter estratégico das relações Brasil-Rússia e a intenção de intensificar a cooperação em temas como energia, ciência e tecnologia e na área naval”. No âmbito comercial, o chefe do Executivo brasileiro ressaltou a relevância do fornecimento russo de diesel e fertilizantes ao mercado nacional e propôs maior equilíbrio na balança comercial por meio da ampliação das exportações do Brasil.

Em relação ao cenário internacional, o diálogo incluiu a avaliação sobre confrontos armados e os impactos humanitários das guerras. O comunicado informou que o presidente brasileiro “expressou sua decepção com a incapacidade do Conselho de Segurança da ONU em encaminhar uma solução para os conflitos e sublinhou a importância do diálogo entre as grandes potências em busca da paz”.

Os dois líderes confirmaram a manutenção da atuação coordenada em fóruns multilaterais, com ênfase no bloco dos Brics e na defesa de uma ordem global multipolar. Na mesma ocasião, o presidente brasileiro reiterou o apoio à candidatura da ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, ao cargo de secretária-geral da ONU.

Relembre

O Brasil mantém histórico de neutralidade diplomática e defesa de soluções negociadas em relação ao confronto entre Rússia e Ucrânia, iniciado em 2022. Paralelamente às posições diplomáticas no âmbito dos Brics, a relação comercial com Moscou apresenta peso estratégico para o agronegócio brasileiro, setor com expressiva dependência dos fertilizantes de origem russa para a produção agrícola nacional.