ECONOMIA


Gastos do governo batem R$ 2,6 tri e colam no teto da pandemia

Economistas ressaltam que máquina pública corre risco de parar totalmente até 2027 se Congresso não aprovar novas reformas estruturais profundas

Foto: Divulgação/Agência Brasil

 

As despesas do governo federal, sob a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atingiram R$2,633 trilhões no acumulado de 12 meses até maio. O montante deixa o país a apenas R$189,5 bilhões do pico histórico de gastos registrado em novembro de 2020, durante o auge da pandemia, quando a cifra chegou a R$2,822 trilhões.

O levantamento da CNN revela que o crescimento acelerado do caixa obrigatório ameaça paralisar o funcionamento dos órgãos públicos nos próximos anos.

O avanço dos benefícios da Previdência Social e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) lidera a pressão sobre as contas da União, com o setor previdenciário consumindo R$ 1,117 trilhão no período, cifra que representa mais do que o dobro de todo o gasto federal com o funcionalismo ativo.

A regra que atrela o reajuste do salário mínimo ao índice de inflação gera um reajuste automático em cascata que atropela os limites fixados pelo arcabouço fiscal.

Para tentar frear o rombo, a equipe econômica do presidente Lula elevou o bloqueio orçamentário para R$23,7 bilhões. As projeções oficiais de desembolso subiram R$14,1 bilhões para o BPC e R$11,5 bilhões para as aposentadorias, buscando salvar a meta de superávit primário de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) e manter a evolução das despesas dentro do teto anual de 2,5% acima da inflação.

Analistas de finanças públicas classificam o cenário atual como um travamento gradual do Estado. A falta de margem para gastos livres já provoca restrições severas em agências reguladoras e cortes em tecnologia no Banco Central.

Economistas ressaltam que a máquina corre o risco de parar totalmente até 2027 se o Congresso Nacional não aprovar novas reformas estruturais profundas.