ECONOMIA


Fed alerta que mundo pode reduzir uso de petróleo e gás caso Estreito de Ormuz permaneça fechado

Discurso foi feito pela presidente do Federal Reserve de Dallas, Lorie Logan, nesta quarta-feira (27)

Foto: Reprodução/Freepik

 

A presidente do Federal Reserve de Dallas, Lorie Logan, afirmou nesta quarta-feira (27) que o mundo poderá precisar se adaptar a um cenário com menos petróleo e gás natural caso o Estreito de Ormuz continue fechado por um período prolongado em meio à guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

Durante discurso preparado para uma conferência do Banco do Japão, Logan destacou que as restrições impostas pelo Irã ao transporte marítimo na região já provocaram alta nos preços da energia, dos alimentos e dos fertilizantes.

Antes do conflito, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo passava pelo Estreito de Ormuz, considerado uma das principais rotas energéticas globais.

“Com os suprimentos altamente restritos, se o transporte marítimo pelo estreito não retornar em breve aos níveis anteriores à guerra, o consumo mundial de petróleo e gás natural pode precisar cair de forma mais significativa do que até agora”, afirmou.

Segundo Logan, os impactos econômicos dependerão da capacidade dos países e consumidores de migrarem para outras fontes de energia ou aumentarem a eficiência energética, evitando uma desaceleração ainda maior da atividade econômica.

A dirigente do Fed também citou dados de uma pesquisa recente realizada pelo banco regional de Dallas com executivos do setor de petróleo dos Estados Unidos. De acordo com o levantamento, a expectativa é de aumento da produção norte-americana em apenas 250 mil barris por dia neste ano e 500 mil barris por dia em 2027.

O crescimento projetado, no entanto, ainda estaria distante da redução estimada de cerca de 13 milhões de barris diários na oferta global desde o início do conflito com o Irã. Atualmente, segundo Logan, esse déficit vem sendo compensado principalmente pela utilização de estoques, considerados limitados.

“De uma forma ou de outra, espero que os mercados de energia entrem em um equilíbrio aproximado em pouco tempo. Se as moléculas não estiverem disponíveis, o mundo não poderá consumi-las”, declarou.

Lorie Logan foi uma das três integrantes do Federal Reserve que votaram contra a decisão mais recente sobre a taxa de juros dos Estados Unidos. O grupo defendia que o banco central sinalizasse a possibilidade de aumento dos juros diante da pressão provocada pela alta nos preços da energia e de outros produtos.

Com informações da Agência Reuters