ECONOMIA


Petróleo dispara com tensão entre EUA e Irã e risco de fim do cessar-fogo

Barril sobe até 6% após apreensão de navio iraniano e ameaça de retaliação, elevando incertezas no Estreito de Ormuz

Imagem: Reprodução/TV Globo

Os preços do petróleo fecharam em forte alta nesta segunda-feira, impulsionados pela escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã e pelo temor de colapso do cessar-fogo no Estreito de Ormuz.

O barril do Brent avançou US$ 5,10 (5,64%) e encerrou o dia cotado a US$ 95,48. Já o West Texas Intermediate (WTI) subiu US$ 5,76 (6,87%), fechando a US$ 89,61.

A alta ocorre após um recuo de cerca de 9% na última sexta-feira, quando o Irã sinalizou que manteria aberta a passagem de navios comerciais pelo estreito até o fim do cessar-fogo. O cenário mudou no fim de semana, após forças americanas apreenderem um navio iraniano que tentava furar o bloqueio, o que levou Teerã a prometer retaliação.

O aumento das hostilidades elevou a incerteza sobre a continuidade das negociações de paz entre os dois países. A trégua de duas semanas deve expirar ainda nesta semana, e não há garantia de prorrogação.

Segundo uma autoridade iraniana ouvida pela Reuters, o país avalia participar de uma nova rodada de negociações no Paquistão, mas ainda não tomou decisão. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que supostas violações do cessar-fogo por parte dos EUA representam um obstáculo ao avanço diplomático.

O presidente americano, Donald Trump, também não garantiu a extensão da trégua. “Talvez eu não a prorrogue, mas o bloqueio vai continuar”, declarou.

Para analistas, a valorização reflete a rápida deterioração do ambiente geopolítico. Ainda assim, os preços permanecem abaixo dos picos registrados no início do conflito. A avaliação é de que, sem uma guerra em larga escala, a tendência no médio prazo ainda pode ser de acomodação gradual das cotações.