SAÚDE


Sistema de saúde brasileiro desperdiça até R$ 360 bilhões por ano, aponta estudo

Documento estima que uma redução de 20% no desperdício poderia liberar até R$ 72 bilhões anuais

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

O sistema de saúde brasileiro desperdiça entre R$ 240 bilhões e R$ 360 bilhões por ano, segundo estimativa apresentada no documento “Os 5 Inegociáveis da Saúde: Uma Agenda para as Lideranças Políticas Brasileiras 2027-2030”. O levantamento foi elaborado pela Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (Fesaúde) e pelo Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Laboratórios e Estabelecimentos de Saúde do Estado de São Paulo (SindHosp).

A estimativa utiliza parâmetros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aplicados aos gastos brasileiros com saúde. De acordo com o documento, a maior parcela do desperdício, entre R$ 100 bilhões e R$ 150 bilhões por ano, está relacionada ao uso inadequado de tecnologias, compras ineficientes e falhas na operação dos serviços.

Entre os exemplos citados estão exames e procedimentos desnecessários, cuidados de baixo valor, eventos adversos evitáveis e diferenças no tratamento de casos semelhantes. Esses fatores, segundo o levantamento, representam entre R$ 89 bilhões e R$ 133 bilhões em desperdícios anuais.

O estudo também estima que fraudes, corrupção, judicialização evitável, abusos e burocracia sejam responsáveis por outros R$ 51 bilhões a R$ 77 bilhões em gastos.

A saúde movimenta cerca de R$ 1,19 trilhão por ano no Brasil, o equivalente a 9,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o levantamento, uma redução de 20% no desperdício potencial poderia liberar entre R$ 48 bilhões e R$ 72 bilhões por ano.

Um dos exemplos apontados é a repetição de exames de imagem e laboratoriais por falta de compartilhamento de resultados entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e a saúde suplementar. De acordo com o documento, esse problema representa um custo estimado entre R$ 15 bilhões e R$ 25 bilhões por ano.

O documento foi apresentado a assessores de saúde de campanhas presidenciais em 14 de setembro, durante evento realizado na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).