POLÍTICA


Zema diz que exigirá estudo só de homens no Bolsa Família porque mulheres têm ‘atribuições em casa’

Em discurso, ex-governador de Minas Gerais defendeu nova reforma da Previdência, reforma administrativa e revisão de programas sociais

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

O pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, afirmou nesta segunda-feira (22) a empresários que, se eleito, pretende exigir de homens beneficiários do Bolsa Família a conclusão de seus estudos e a realização de curso técnico. No caso das mulheres, segundo ele, não será feita essa exigência porque elas “têm outras atribuições em casa”.

“Viso muito os homens. As mulheres têm outras atribuições em casa, têm filhos, têm uma diferença muito grande com relação aos homens. Os homens hoje são convidados a trabalhar, e as pessoas não vão por um motivo muito simples: elas têm a segurança de receber um benefício”, afirmou durante palestra em evento da CNI (Confederação Nacional da Indústria) em Brasília.

Uma pesquisa da FGV (Fundação Getúlio Vargas) divulgada em dezembro passado aponta que 68,8% dos beneficiários do Bolsa Família que tinham entre 11 e 14 anos em dezembro de 2014, e 71,25% dos que tinham entre 15 e 17 anos, deixaram o programa até outubro de 2025. Neste ano, o FMI (Fundo Monetário Internacional) apontou que o Bolsa Família não tem reduzido sistematicamente a participação de mulheres na força de trabalho.

Em discurso a uma plateia de empresários, Zema defendeu uma nova reforma da Previdência, uma reforma administrativa e a revisão de programas sociais. “Muitos aqui devem estar enfrentando dificuldade para contratar mão de obra. […] Estamos criando uma geração de imprestáveis”, declarou.

“Quero que esses jovens, aqueles que não concluíram o ensino fundamental, que concluam. Hoje não tem essa exigência. […] Quero colocar essas exigências para os homens. Mulher, mais uma vez, eu falei é diferente”, completou.

Zema também defendeu o regime de trabalho pago por hora trabalhada, uma alternativa à CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). O ex-governador repetiu as críticas sobre o fim da escala 6×1, que aguarda avanços na tramitação no Senado.
“A produtividade é a chave para elevar a renda de qualquer economia no mundo. E o pessoal vai vendendo a ideia de uma canetada que vai fazer o trabalhador ganhar mais. Infelizmente, o brasileiro às vezes ainda acredita nesse tipo de coisa, como a questão da escala 6×1.”

O evento ainda terá a presença dos presidenciáveis Ronaldo Caiado (PSD) e Flávio Bolsonaro (PL). Lula (PT) e Renan Santos (Missão) foram convidados, mas recusaram.