POLÍTICA


Presidente do PL nega irregularidades em emendas e diz que apenas sugere destinação de recursos

Valdemar Costa Neto afirmou que decisão final sobre o envio das verbas cabe ao líder da bancada na Câmara dos Deputados

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

 

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta terça-feira (14) que apenas faz sugestões sobre a destinação de emendas parlamentares e que a decisão final cabe ao líder do partido na Câmara dos Deputados.

“Eu faço sugestão, o líder assina se quiser”, declarou durante entrevista à GloboNews.

A declaração foi dada após ele ser investigado por suposto direcionamento irregular de emendas parlamentares.

Segundo Valdemar, alguns deputados cedem parte de suas emendas para que o partido direcione os recursos a municípios administrados pelo PL. O dirigente negou qualquer irregularidade e afirmou que a participação dos presidentes de partidos nas discussões sobre a destinação das verbas é uma prática comum.

“Lógico que outros presidentes de partido fazem o mesmo. É função do presidente do partido. Se o presidente não faz isso, pode ir embora”, afirmou.

De acordo com ele, os parlamentares costumam concentrar sua atuação nas demandas de seus estados, enquanto o presidente da legenda tem uma visão nacional das necessidades do partido.

As declarações ocorrem após a Polícia Federal apontar, em investigação, que Valdemar teria autonomia para indicar a destinação de recursos mesmo sem exercer mandato parlamentar. Segundo o relatório da corporação, as indicações eram formalizadas em nome de deputados federais para conferir aparência de legalidade às decisões.

Ainda conforme a investigação, mensagens encontradas no celular de Mariângela Fialek, ex-assessora do ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL), indicariam a existência de um suposto “arranjo decisório paralelo” para a distribuição de verbas públicas. A Polícia Federal afirma que Valdemar aparecia como responsável pela definição e remanejamento de emendas, apesar de não ocupar cargo eletivo.

Durante a entrevista, o presidente do PL também comentou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que determinou o bloqueio de até R$ 119,2 milhões em seus bens.

“Eu não tenho 119 milhões na minha conta. Nem que eu acertasse duas vezes na Mega-Sena sozinho eu teria esse dinheiro”, disse.