POLÍTICA


Magistrados reagem a Dino após fala sobre corrupção no Judiciário 

Associações de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul criticaram declaração do ministro durante julgamento no STF 

Foto: Rosinei Coutinho/STF

Associações de magistrados reagiram às declarações feitas pelo ministro Flávio Dino durante a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15), que discutiu os desdobramentos do caso Banco Master. 

Durante o julgamento, Dino afirmou que o país vive o “momento mais corrupto da história do Poder Judiciário”. A declaração ocorreu enquanto o ministro criticava a possibilidade de presidentes de tribunais retirarem processos de relatores. 

A Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC) afirmou que eventuais suspeitas envolvendo pessoas específicas não podem ser generalizadas para toda a magistratura. A entidade defendeu que possíveis irregularidades sejam investigadas individualmente, com respeito ao devido processo legal. 

No Rio Grande do Sul, a Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) também repudiou a fala de Dino. Segundo a entidade, suspeitas devem estar relacionadas a fatos e pessoas determinadas e não podem ser estendidas a toda a carreira. 

A Ajuris ainda citou uma declaração de Cármen Lúcia durante o julgamento, de que “o Poder Judiciário existe para tranquilizar o povo”, e pediu ponderação e responsabilidade institucional aos integrantes do Supremo. 

Bate-bocas no STF 

A reação das entidades ocorreu após uma sessão marcada por discussões entre os ministros. O plenário analisava se procedimentos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça, relacionados ao caso Master, deveriam tramitar conjuntamente. 

O placar provisório ficou em 4 a 3 pela manutenção dos casos separados. Dino, que havia defendido a reunião dos processos, pediu vista e solicitou que seu voto não fosse contabilizado, suspendendo o julgamento sem decisão final. 

Durante a sessão, Gilmar Mendes e André Mendonça trocaram acusações, enquanto Dino criticou a condução dos trabalhos e classificou o encontro como “desastroso”. Cármen Lúcia afirmou estar consternada e pediu desculpas à população pelo ambiente registrado no Supremo.