POLÍTICA


Lula retorna a Brasília sob pressão do tarifaço e pautas travadas no Congresso

Após participar da cúpula do G7 na Europa, presidente volta ao país com desafios na agenda econômica e política

Foto: Wallison Breno/PR

 

O presidente Lula (PT) desembarcou em Brasília na madrugada desta quinta-feira (18) após participar da cúpula do G7, na Europa. De volta ao Brasil, o petista enfrenta uma série de desafios envolvendo negociações comerciais com os Estados Unidos e a tramitação de projetos considerados prioritários pelo governo no Congresso Nacional.

Durante a viagem, Lula se encontrou com o presidente norte-americano, Donald Trump, mas afirmou que não discutiu a possibilidade de novas tarifas sobre produtos brasileiros. O tema, entretanto, segue no centro das preocupações do governo federal.

Na quarta-feira (17), Trump voltou a fazer comentários sobre a situação política brasileira e mencionou, de forma equivocada, o julgamento do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), confundindo-o com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é apontado como possível candidato à Presidência da República em 2026.

As declarações ocorrem enquanto Brasil e Estados Unidos buscam uma saída para o impasse comercial envolvendo possíveis sobretaxas sobre produtos brasileiros.

O governo norte-americano tem prazo inferior a um mês para decidir se adotará medidas sugeridas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), após investigações sobre práticas consideradas desleais. Caso sejam implementadas, as tarifas poderão alcançar até 37,5%.

Integrantes do governo brasileiro avaliam que a tarifa de 12,5%, relacionada a questionamentos sobre a entrada de produtos associados a trabalho forçado, tende a ser mais difícil de reverter. Já a sobretaxa adicional de 25%, direcionada especificamente ao Brasil, é vista como passível de negociação.

Técnicos dos dois países devem se reunir nos próximos dias para dar continuidade às tratativas iniciadas após a criação de um grupo bilateral voltado às questões comerciais.

Governo busca destravar pautas no Congresso

Além da agenda internacional, Lula retorna ao país diante de entraves políticos no Legislativo. Duas propostas consideradas estratégicas pelo governo seguem sem avanços no Senado: a PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e a PEC da Segurança Pública.

A proposta sobre a jornada de trabalho foi aprovada pela Câmara dos Deputados em maio e aguarda despacho do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para iniciar sua tramitação na Casa.

Nos bastidores, integrantes do governo atribuem parte da demora ao desgaste na relação entre Lula e Alcolumbre. O distanciamento entre os dois se intensificou após a articulação que resultou na rejeição da indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.

Outra matéria considerada prioritária é a PEC da Segurança Pública, parada no Senado desde março. O texto prevê a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição. Nesta semana, o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) sinalizou que poderá assumir a relatoria da proposta.

O governo trabalha para aprovar ambas as PECs antes da redução do ritmo de votações no Congresso em razão do calendário eleitoral.

Além dessas matérias, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, apontou como prioridades do Executivo a atualização do teto de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI), a regulamentação da inteligência artificial e o projeto que equipara a misoginia a outras formas de discriminação previstas em lei.