POLÍTICA


Lula provoca Trump e diz que vai sugerir que presidente dos EUA faça um Pix

Durante agenda em São Paulo, petista voltou a criticar posição dos Estados Unidos sobre o sistema de pagamentos brasileiro

Foto: Feijão Almeida/GOVBA

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, voltou a ironizar a posição do governo dos Estados Unidos em relação ao Pix durante uma agenda no interior de São Paulo neste sábado (5). Ao falar sobre tecnologia e os avanços digitais no Brasil, o petista afirmou que pretende abordar o assunto com Donald Trump quando os dois se encontrarem na Organização das Nações Unidas (ONU).

Lula destacou a expansão do acesso aos serviços digitais do governo por meio da plataforma gov.br e classificou o processo como uma “revolução digital”.

“Nós já temos 178 milhões de pessoas que se conectam com o governo pelo gov.br. Nós estamos quase perto de atingir toda a população brasileira, para as pessoas terem informação”, afirmou.

Na sequência, o presidente fez referência às críticas norte-americanas ao sistema de pagamentos instantâneos brasileiro e brincou com a possibilidade de apresentar o Pix a Trump durante o encontro.

“E o exemplo disso é que o presidente dos Estados Unidos quer acabar com o Pix, mas eu agora vou para a ONU, vou encontrar com o Trump e vou dizer para ele: ‘Trump, faça um Pix que você vai ver o quanto será bom'”, acrescentou o presidente.

O Pix passou a ser alvo de questionamentos dos Estados Unidos nos últimos meses e apareceu entre os pontos citados em uma recomendação de taxação de 25% sobre importações brasileiras, no contexto de investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei do Comércio de 1974.

Em relatório, o sistema brasileiro foi classificado como “injusto e discriminatório” em relação a empresas norte-americanas. O documento também apontou como problema o fato de o Banco Central, responsável pela regulação, estar ligado à operação do meio de pagamento, o que, segundo a avaliação apresentada, configuraria conflito de interesses.

A relação entre os dois governos, entretanto, passou por uma retomada do diálogo técnico no fim do mês passado, após uma conversa telefônica entre Lula e Trump. A previsão é de que representantes dos países voltem a se reunir nas próximas semanas para tratar das tarifas.

Durante o mesmo evento, Lula também defendeu que o Brasil avance no desenvolvimento de inteligência artificial sem ficar condicionado às tecnologias de outros países. O presidente afirmou que pretende estimular a criação de uma ferramenta em português.

“Agora, vamos dominar essa história de inteligência artificial. Não quero ficar dependendo da China ou dos EUA, queremos IA em português. Nós vamos avançar porque o povo brasileiro não é pior que ninguém. Aliás, tem muita gente que queria ser como nós. O que falta é a gente acreditar”, completou.

Com informações da CNN Brasil