POLÍTICA


Justiça torna Binho Galinha e familiares réus em novo processo

Nova denúncia do MP-BA aponta uso de “laranjas” para movimentar dinheiro ilícito

Foto: Reprodução/Instagram/binho.galinha

 

A Justiça da Bahia aceitou uma nova denúncia do Ministério Público da Bahia (MP-BA) contra o deputado estadual Binho Galinha (PRD) e familiares, que agora se tornam réus em um segundo processo criminal por envolvimento em uma milícia que atua há mais de dez anos em Feira de Santana. O parlamentar já está preso preventivamente.

De acordo com o MP-BA, a esposa de Binho, Mayana Cerqueira da Silva, teria mantido atividades na organização criminosa mesmo durante o cumprimento de prisão domiciliar, utilizando “laranjas” para movimentar recursos e manter o fluxo financeiro do grupo. O órgão aponta que Cristiano de Oliveira Machado passou a receber os valores ilícitos em sua conta e realizar a pulverização dos montantes para ocultar a origem criminosa do dinheiro.

A juíza Márcia Simões Costa, da Vara Criminal e Crimes Contra a Criança e o Adolescente de Feira de Santana, considerou a denúncia “clara e pormenorizada”, e determinou que a Polícia Federal apresente, em até 15 dias, os laudos periciais de celulares, armas e munições apreendidas, além de informações sobre um veículo Porsche ligado ao núcleo de agiotagem do grupo.

A magistrada também homologou o arquivamento parcial de um inquérito da PF por falta de provas em alguns trechos, como suspeitas de receptação qualificada e lavagem de dinheiro por meio de honorários advocatícios.

A nova denúncia, protocolada em 30 de outubro, aponta que a organização criminosa — surgida a partir de bancas de jogo do bicho — expandiu sua atuação para empréstimos ilegais, agiotagem e lavagem de dinheiro. O MP-BA afirma que o grupo continuou operando mesmo após as fases iniciais da operação El Patron, sob a liderança de Binho Galinha.

O documento também destaca a existência de um “núcleo armado” dentro da milícia, com uso de armas de fogo para garantir o funcionamento das atividades ilícitas.

Além de Binho Galinha, foram denunciados sua esposa Mayana Cerqueira e o filho do parlamentar, João Guilherme, apontados como integrantes da alta cúpula e do setor operacional da organização. Ao todo, 13 pessoas são citadas na nova ação.