POLÍTICA


Consultor contratado por Vorcaro, alvo da PF, diz que revelará quem influenciava investimentos do RioPrevidência

Ricardo Siqueira Rodrigues nega ter atuado como lobista e afirma que pretende prestar novos esclarecimentos às autoridades

Foto: Metrópoles/YouTube

 

Alvo da oitava fase da Operação Compliance Zero, que investiga investimentos bilionários do RioPrevidência no Banco Master e teve como um dos desdobramentos uma ação de busca e apreensão na residência do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), o consultor financeiro Ricardo Siqueira Rodrigues falou pela primeira vez sobre sua atuação junto ao banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso.

Em entrevista ao Metrópoles, Rodrigues detalhou os serviços prestados ao empresário, explicou como foi contratado para auxiliar na captação de recursos de fundos de previdência estaduais e municipais (RPPS) e negou ter atuado como lobista. Ele também afirmou que pretende informar à Polícia Federal (PF) quem seria a pessoa com influência política necessária para autorizar investimentos do RioPrevidência no Banco Master.

O nome surgiu em um áudio enviado por Rodrigues a Vorcaro, em outubro de 2023, e citado pela PF na investigação que embasou a operação autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Na gravação, o consultor afirma que o RioPrevidência “tem um dono” e que essa pessoa precisaria autorizar internamente a aquisição de letras financeiras do banco.

“Então assim, o que eu posso fazer é dar um encaminhamento técnico. Lá [RioPrevidência] é diferente dos outros lugares, mas esse encaminhamento político tem que ser feito, porque lá tem dono, tá?”, disse Rodrigues a Vorcaro no áudio de 2023.

Segundo as investigações, entre outubro de 2023 e julho de 2024, o RioPrevidência aplicou R$ 970 milhões em letras financeiras do Banco Master. Posteriormente, foram realizados outros investimentos que somaram R$ 2 bilhões em fundos ligados à instituição.

Questionado sobre a identidade da pessoa mencionada no áudio, Rodrigues afirmou que pretende revelar o nome primeiro à PF ou à Procuradoria-Geral da República (PGR). Ele também declarou que o ex-governador Cláudio Castro tinha influência sobre o instituto, mas não seria o único agente político com poder de interferência nas decisões.

“Esse dono específico, com relação ao Rio de Janeiro, eu estou aguardando aqui para poder prestar depoimento dentro dos próximos dias à Polícia Federal ou à PGR. Prefiro que essa informação seja divulgada primeiro neste depoimento lá”, diz Rodrigues.

“O Cláudio Castro, com quem eu nunca tive contato, é claro que tinha uma influência enorme, já que era o governador do Estado. Mas eu entendo que não era só ele que tinha influência bem elevada com relação à possibilidade ou não de liberar esses investimentos [do RioPreviência] para serem feitos [no Master]”.

Nos bastidores da política fluminense, a indicação de dirigentes do RioPrevidência durante a gestão de Castro é atribuída ao presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda. Rodrigues afirmou ter ouvido comentários sobre o tema, mas evitou citar nomes.

“Prefiro não me manifestar muito nesse momento a respeito desse assunto. Mas já escutei, assim como diversas pessoas já me falaram também a respeito disso [influência de Rueda no RioPrevidência]. Mas eu prefiro me resguardar de declinar nomes nesse momento”.

Pagamentos por empresa intermediária

Na representação encaminhada ao STF, a PF descreve Rodrigues como um articulador responsável pela captação de investimentos e pela identificação de oportunidades de negócios para Daniel Vorcaro. Segundo os investigadores, ele recebia comissão de 0,6% sobre os valores captados para o Banco Master por meio da empresa Mídias Promotora.

A investigação aponta que Rodrigues teria recebido R$ 41,9 milhões por intermédio da empresa. O consultor, por sua vez, contestou a informação e afirmou que recebeu cerca de R$ 16 milhões pelos serviços prestados ao banqueiro.

“Pelo que eu entendi do ecossistema [do Master], era um procedimento comum que determinadas operações ou determinadas pessoas fossem pagas por empresas satélites, vamos dizer assim, e o dinheiro não saía direto do banco. Então, assim foi. Só para ficar claro: eu nunca recebi dinheiro nenhum do RioPrevidência, nunca recebi dinheiro nenhum do banco Master”, diz Rodrigues.

Ainda segundo o consultor, ele foi procurado em 2023 por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado pelas investigações como operador do banqueiro, para prestar consultoria ao Banco Master.

Rodrigues afirmou que o trabalho de captação de recursos junto aos fundos de previdência foi viabilizado após o Banco Central elevar a classificação da instituição financeira e aprovar um plano de negócios que autorizava a captação de até R$ 17 bilhões junto aos RPPS.

De acordo com o consultor, a prestação de serviços ao Banco Master foi encerrada em setembro de 2024, após a repercussão negativa envolvendo uma possível aquisição de letras financeiras da instituição pela Caixa Asset e o início das negociações para compra de participação acionária pelo Banco de Brasília (BRB).

Com informações do Metrópoles