POLÍTICA


PT intensifica articulações em Minas após desistência de Rodrigo Pacheco 

Sem o senador na disputa pelo governo estadual, partido amplia conversas com aliados, avalia candidatura própria e busca definir estratégia para 2026.  

Foto: Pedro Gontijo/Agência Senado

Após a decisão do senador Rodrigo Pacheco (PSB) de não disputar o governo de Minas Gerais, o Partido dos Trabalhadores (PT) passou a ampliar o diálogo com legendas aliadas para definir seu posicionamento na eleição estadual de 2026. A informação foi reforçada neste sábado (30) pelo presidente nacional da sigla, Edinho Silva, durante o seminário “Lula pelas Minas e pelos Gerais”, realizado em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. 

Pacheco era considerado a principal aposta do PT e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a sucessão estadual. No entanto, o senador anunciou que não concorrerá ao cargo e que pretende encerrar sua trajetória política ao término do mandato. 

Mesmo com a mudança de cenário, Edinho afirmou que o partido não considera ter cometido erro ao aguardar uma definição do parlamentar. Segundo ele, ainda há prazo para a construção das alianças e da estratégia eleitoral. 

“O processo de definição da tática eleitoral acontece dessa forma. As convenções partidárias serão realizadas apenas em julho, e até lá teremos tempo para consolidar nosso projeto”, afirmou. 

Com a saída de Pacheco da disputa, o PT passou a intensificar conversas com possíveis aliados. Entre os nomes avaliados está o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), com quem Edinho afirmou que pretende se reunir. Embora seja visto como uma alternativa para receber o apoio petista, interlocutores da legenda avaliam que Kalil ainda não demonstra disposição clara para uma composição. 

Edinho destacou a relação de proximidade construída com Kalil ao longo dos anos e lembrou que PT e PDT mantêm alianças em diferentes estados do país. 

O dirigente também relatou encontros com Josué Gomes e Jarbas Soares Júnior, ambos ligados ao PSB e apontados como possíveis candidatos ao governo mineiro. Já em relação ao presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo (MDB), Edinho afirmou que uma conversa deve ocorrer em breve. O MDB, assim como o PDT, participa de alianças com o PT em diversas regiões do país. 

Candidatura própria segue em análise 

Além das negociações com outras siglas, o PT mantém aberta a possibilidade de lançar um candidato próprio ao Palácio Tiradentes. Segundo Edinho, o tema foi discutido recentemente em reunião da executiva estadual e da bancada federal mineira. 

“Chegamos ao entendimento de que o partido precisa estar preparado para uma eventual candidatura própria”, afirmou. 

A presidente do PT em Minas Gerais, deputada estadual Leninha, ponderou, porém, que a decisão precisa levar em conta os impactos na composição da bancada federal. Segundo ela, a prioridade também é garantir força política para o governo Lula no Congresso Nacional. 

“O nome do deputado Rogério Correia tem relevância, mas existe a preocupação de preservar nossa representação na Câmara dos Deputados. O presidente Lula precisa de uma base forte, e não podemos enfraquecer nossa equipe para a disputa estadual”, disse. 

Nas eleições de 2022, os deputados federais Reginaldo Lopes e Rogério Correia estiveram entre os mais votados de Minas Gerais, recebendo 196.760 e 185.918 votos, respectivamente. 

Aproximação com Psol e Rede 

O PT também avalia ampliar sua articulação com a federação Psol-Rede. Leninha informou que pretende se reunir nos próximos dias com a vereadora Iza Lourença, recém-empossada presidente do Psol em Minas Gerais. 

Nos bastidores, integrantes das duas legendas demonstram simpatia por uma eventual candidatura de Alexandre Kalil ao governo estadual. Outra alternativa citada é o deputado federal André Janones (Rede), apontado pelo presidente nacional da Rede Sustentabilidade, Paulo Lamac, como um nome que poderia integrar as discussões do campo aliado para a disputa ao governo mineiro.