PORTO SEGURO


Sesab troca gestão de hospital pela 3ª vez em nove meses e prefeito cobra responsabilidade de Jerônimo

Para prefeito Jânio Natal, sucessão de institutos na administração do hospital não anula responsabilidade do governo estadual

Foto: Assessoria/ Jânio Natal

 

Nesta semana, a S3 Gestão em Saúde assumiu a operação do Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães (HRDLEM), em Porto Seguro, e se tornou a terceira organização a comandar a unidade nos últimos nove meses, período marcado por protestos trabalhistas, denúncias de precariedade e falhas no atendimento.

Para o prefeito Jânio Natal (PL), a sucessão de institutos na administração do hospital não afasta a responsabilidade do governo de Jerônimo Rodrigues (PT) sobre o funcionamento da unidade, já que o Hospital Luís Eduardo Magalhães é regional, integra a rede estadual e desempenha papel estratégico nos atendimentos de urgência e emergência, internações e procedimentos especializados.

“Quando a Sesab troca a gestão de um hospital regional pela terceira vez em nove meses, o problema deixa de ser tratado como caso pontual e passa a revelar falta de controle do próprio Estado. Não é aceitável que uma unidade que atende Porto Seguro e municípios da região conviva com falta de insumos, atrasos, denúncia de equipamentos sem funcionar e insegurança para pacientes e profissionais, enquanto o governo tenta empurrar a responsabilidade para terceiros”, afirmou Jânio.

O cenário de instabilidade começou em setembro de 2025, ainda durante a gestão de outra instituição. Foram verificadas dificuldades da organização social para manter a capacidade operacional diante da alta demanda de atendimentos e o contrato foi encerrado.

Menos de dois meses depois da primeira troca de gestão, o hospital voltou ao centro da crise. Em 1º de dezembro de 2025, a equipe médica de obstetrícia pediu demissão em massa. A saída dos profissionais ocorreu em meio à redução salarial proposta pelo Instituto Setes, que havia assumido a operação, e à falta de pagamento de verbas rescisórias pela gestão anterior.

Em 2026, a crise se repetiu. Houve novo encerramento do contrato de gestão, após o registro de problemas como a suposta falta de funcionamento do aparelho de tomografia, deficiência no abastecimento de materiais e medicamentos, problemas no enxoval hospitalar e atrasos no pagamento de honorários médicos.

Em março deste ano, a Prefeitura de Porto Seguro publicou um vídeo no qual descreveu a precariedade no Hospital Regional. O gestor citou falta de insumos básicos, como fios cirúrgicos e medicamentos, além de atrasos salariais.

Segundo Jânio Natal, o município de Porto Seguro repassa mais de R$12 milhões por ano ao hospital. O prefeito também afirmou que o conjunto de municípios da 8ª Região de Saúde, que inclui Belmonte, Eunápolis, Guaratinga, Itabela, Itagimirim, Itapebi e Santa Cruz Cabrália, soma cerca de R$30 milhões em transferências.