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Super El Niño terá ‘força destrutiva avassaladora’ no fim do ano, alerta ONU

Organização Meteorológica Mundial projeta aquecimento histórico no Pacífico e intensificação da seca no Brasil

Foto: Pixabay/Reprodução

 

A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou, nesta quarta-feira (21), para a ocorrência de um fenômeno El Niño de intensidade inédita até o final deste ano. O anúncio ocorreu em Genebra, Suíça, durante uma coletiva de imprensa da Organização Meteorológica Mundial (OMM). O objetivo do aviso é prepara os governos globais para eventos climáticos extremos.

A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, afirmou que fenômeno atingirá o pico no final de 2026. Segundo a executiva, os impactos climáticos extremos atuais devem “se multiplicar e espalhar”. A projeção oficial aponta que as temperaturas do oceano Pacífico podem subir para 3,8°C acima da média entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, participou da apresentação aos jornalistas. Ele declarou que este El Niño será “colossal, com uma força destrutiva avassaladora”. Fletcher previu calor extremo, secas e inundações globais com consequências humanitárias de grande escala.

O cenário global atual já apresenta conflitos e populações deslocadas. A conjuntura registra alta nos preços de combustíveis e alimentos, em paralelo com cortes na ajuda humanitária. O subsecretário alertou para choques na economia global, novos conflitos e ondas migratórias adicionais em decorrência do clima.

O avanço tecnológico recente deve atuar para garantir a resiliência de comunidades vulneráveis. O Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários liberou mais de US$ 50 milhões do Fundo Central de Resposta a Emergências. O recurso ajudará 11 países na linha de frente, incluindo Chade, El Salvador, Etiópia, Somália e Sudão do Sul.

Celeste Salo ressaltou que condições climáticas extremas não precisam se traduzir em emergências humanitárias ou vítimas mortais. A prioridade atual é fornecer informações comprovadas para ajudar os governos locais a proteger as populações. As operações de socorro exigem antecipação de riscos para evitar desastres maiores.

Nas Américas, a previsão indica aumento de precipitações no noroeste dos Estados Unidos, no sudoeste da América do Sul e na porção norte do Caribe. Em contraste, partes da América Central e do sul do Caribe possuem risco elevado de seca. O mesmo alerta de estiagem severa vigora para a região da Amazônia.

A floresta amazônica já sofre com um período crítico de incêndios florestais. O governo do Amazonas divulgou um boletim na terça-feira 920) com o registro de 102.445 famílias atingidas pela estiagem. Atualmente, a contagem oficial lista 41 municípios em emergência, 16 em alerta e cinco em atenção.

A fumaça das queimadas afeta diretamente a qualidade do ar em Manaus. No último domingo (18), a concentração de partículas finas chegou a 94,4 microgramas por metro cúbico às 9h30, um índice classificado como “muito ruim” pela Defesa Civil municipal. Diante da crise, o governo federal prometeu intensificar o combate aos incêndios e aos efeitos da seca no estado.