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Universitários no exterior relatam temor com plano educacional de Flávio Bolsonaro

Brasileiros matriculados na Argentina usam greve contra cortes de Javier Milei para apontar semelhanças com propostas de ajuste fiscal em debate no Brasil

Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

Cerca de 15 mil estudantes brasileiros na Argentina participam de um protesto nesta quinta-feira (15). O grupo usa a crise educacional local para alertar sobre as propostas do senador Flávio Bolsonaro (PL) para o Brasil.

Os manifetsantes são alunos matriculados de forma regular no sistema de ensino superior vizinho. A gratuidade das universidades públicas argentinas e a ausência de exames de admissão atraem os brasileiros. A maioria dos estudantes busca a formação integral em cursos como medicina para evitar as altas mensalidades no Brasil.

A mobilização desta quinta-feira ocorre em resposta aos cortes no orçamento das universidades promovidos pelo presidente argentino Javier Milei. Os universitários brasileiros temem a aplicação de um modelo idêntico pela equipe política de Flávio Bolsonaro.

A estudante Letícia Lopes relata a apreensão com o cenário. “No Brasil, as propostas de ajuste fiscal que vêm sendo discutidas pela equipe de Flávio Bolsonaro, incluindo as possíveis mudanças no financiamento da educação e da saúde, nos despertam preocupações parecidas”, afirma à RFI.

“Defender a universidade pública é defender o direito ao conhecimento, à ciência e a uma formação de qualidade, tanto na Argentina quanto no Brasil”, explica a aluna. “Portanto, a defesa da educação pública argentina também é uma luta nossa”, conclui.

O estopim da crise argentina envolve a falta de aplicação da Lei de Financiamento Universitário, aprovada pelo Congresso local em agosto de 2025. O governo usa meios políticos e argumenta um possível impacto no superávit fiscal para evitar a recomposição dos salários e do orçamento com base na inflação.

As reivindicações da categoria incluem um reajuste salarial para repor perdas de 33,4% e a recuperação do orçamento educacional. Os recursos sofreram um corte de 47,7%, com bolsas de ensino 20% menores desde dezembro de 2023.

A manifestação é uma decorrência de uma sentença judicial com ordem para o governo aplicar a lei de financiamento. A gestão de Javier Milei já entrou com um recurso na Justiça contra a decisão.

O ato concentra manifestantes nas imediações do Congresso argentino. O protesto reúne professores, alunos, centrais sindicais e entidades civis historicamente aliadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A apreensão dos estudantes reflete o cenário eleitoral anterior. Em Buenos Aires, Lula obteve 66,1% dos votos no primeiro turno, com apoio impulsionado pela experiência prática dos brasileiros com a política econômica de Milei.

Além da pauta estudantil, os parlamentares argentinos debatem a eventual revogação de um decreto presidencial editado no primeiro mês de mandato. O texto altera direitos trabalhistas e regulações da economia, com perdas salariais acumuladas de 36,5% para servidores e aposentados.