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Lula diz ‘nunca’ ter sido ‘esquerdista’ e que ONU deveria recomendar modelo de voto do Brasil

Em conversa com líderes no G7, presidente afirmou que o mundo é do "caminho do meio" e relembrou sua trajetória sindical para rejeitar rótulo.

Foto: Ricardo Stuckert/PR

 

O presidente Lula afirmou nesta quarta-feira (17) que “nunca” foi um “esquerdista” e sugeriu à ONU (Organização das Nações Unidas) recomendar a outros países modelo de votação do Brasil. As declarações foram feitas durante agenda no G7, em conversa com Friedrich Merz, primeiro-ministro da Alemanha, e com Kristalina Georgieva, diretora-geral do FMI (Fundo Monetário Internacional).

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Georgieva iniciou o diálogo. “Mas quando você foi presidente pela primeira vez, todo mundo esperava que você fosse um esquerdista, e você não foi”.

Lula respondeu, contando uma história sobre não ter conseguido ir à Rússia nos anos 1980: “Mas eu nunca fui esquerdista. Veja, eu era um dirigente sindical que tinha uma belíssima relação com o sindicalismo alemão, tinha uma relação com o sindicalismo italiano, com a UGT espanhola. Em 1980, eu tinha um congresso na Rússia para o qual fui convidado e não fui para a Rússia porque estava condenado pela lei de segurança nacional. Fiz uma viagem pela Europa angariando solidariedade e passei a ser tratado como anticomunista”.

Antes disso, Lula falava a Merz e a Georgieva sobre o sistema brasileiro de votação. O presidente explicou, passo a passo, como a eleição acontece — como o eleitor se dirige à urna, os itens proibidos para a votação, quais os candidatos nos quais votam etc.

“A eleição no Brasil é muito rápida. A eleição termina às 17h e às 19h já temos os resultados de 160 milhões de votos. Eu não sei por que a ONU não adota o sistema eletrônico como orientação aos outros países”, disse Lula. Ao que Merz respondeu, em tom bem-humorado: “Na Alemanha nós não temos”.

Lula fazia uma digressão sobre a presença de líderes de direita e esquerda nos principais países do Ocidente. Falou que a direita liderou esses países por muito mais tempo e chegou à conclusão de que “o mundo não é de esquerda”.