JUSTIÇA


Mendonça afastou chefe da PF três dias após Dino autorizar operação contra aliado do ministro

Cronologia envolve deputado Cezinha de Madureira, alvo da Operação Transparência

Foto: Fellipe Sampaio /STF

 

A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, foi tomada três dias depois de o ministro Flávio Dino autorizar uma operação que tinha entre os alvos o deputado federal Cezinha de Madureira (PL), aliado de Mendonça. A cronologia foi revelada pela jornalista Juliana Dal Piva, do ICL Notícias.

Dino autorizou as buscas em 5 de setembro. Três dias depois, em 8 de setembro, Mendonça determinou o afastamento de Rodrigues. Os mandados, no entanto, só foram cumpridos nesta segunda-feira (14), nove dias após a autorização da operação.

A ação contra Cezinha ocorreu enquanto o STF vivia um embate envolvendo Mendonça, a Polícia Federal e a direção da corporação. Ao determinar o afastamento de Rodrigues, o ministro afirmou ter sido monitorado pela PF a partir de relatórios relacionados ao ministro Alexandre de Moraes. No dia seguinte, Dino restabeleceu Rodrigues no cargo.

O impasse foi posteriormente levado ao presidente do STF, Edson Fachin, que cassou as decisões que haviam afastado o diretor-geral da PF. Rodrigues também negou ter monitorado Mendonça ou participado de irregularidades na elaboração dos relatórios.

Operação Transparência

A operação deflagrada nesta segunda (14) é a terceira fase da Operação Transparência, que investiga suspeitas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro envolvendo negociações relacionadas a processos nos tribunais superiores.

Ao todo, foram expedidos quatro mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Distrito Federal. Cezinha de Madureira está entre os principais alvos da ação.

O deputado também aparece em mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Banco Master. Segundo informações divulgadas por Dal Piva, Cezinha teria articulado um encontro entre Vorcaro e Mendonça em São Paulo, em março de 2025.

Outro alvo da operação é a advogada Valéria Rodrigues Linhares, companheira do deputado. Ela foi presa em 25 de agosto, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, após ser encontrada com R$ 510 mil em espécie na bagagem.

A investigação apura se integrantes do grupo teriam negociado pagamentos elevados condicionados ao resultado de processos judiciais, sob a promessa de influência sobre decisões. Em nota, a PF afirmou que os investigados teriam negociado com terceiros valores expressivos vinculados ao desfecho de processos em andamento, sob o argumento de que poderiam interferir nas decisões judiciais.

Até o momento, Cezinha de Madureira ainda não havia se manifestado sobre a operação.