JUSTIÇA


CNJ avalia proposta para regulamentar conflito de interesses na magistratura

Medida apresentada por Edson Fachin estabelece diretrizes sobre eventos, presentes e vínculos de juízes em todos os tribunais, com exceção do STF

Foto: CNJ

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) analisa na próxima terça-feira (4) uma proposta de resolução para prevenir conflitos de interesse na magistratura brasileira. O texto, apresentado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do conselho, ministro Edson Fachin, determina diretrizes para todos os tribunais do país, com exceção do próprio STF, que não se submete à jurisdição administrativa do órgão.

Elaborada com base em estudos do Observatório Nacional de Integridade e Transparência do Poder Judiciário (Onit), a minuta orienta as cortes a identificar cenários de conflito reais, potenciais ou aparentes. Uma das principais frentes prevê restrições a eventos pagos por empresas privadas: os tribunais deverão checar o valor das despesas, o ramo de atuação do patrocinador e se a empresa possui processos em tramitação na respectiva corte.

A proposta também submete o recebimento de presentes, cortesias e hospitalidades a critérios objetivos de análise. Além disso, exige o mapeamento detalhado das atividades externas dos magistrados, como participações empresariais, acadêmicas, associativas e de vínculos familiares, societários ou profissionais com fornecedores, prestadores de serviço e grandes litigantes.

Para viabilizar a fiscalização, os tribunais deverão implementar, em até seis meses, uma plataforma digital para declaração de interesses relevantes e um canal confidencial de orientação ética. A recomendação é que a gestão dessas medidas seja incorporada às estruturas já existentes nas cortes, evitando aumento de despesas públicas.

Após a leitura do texto em plenário, o CNJ abrirá um prazo de 60 dias para o recebimento de sugestões e aprimoramentos antes da votação definitiva. A medida retoma discussões iniciadas em 2023, sob a gestão da ministra Rosa Weber, quando uma proposta sobre patrocínios privados não obteve maioria para aprovação. Na Suprema Corte, normas equivalentes seguem sob elaboração pela ministra Cármen Lúcia.