ESPORTE


CBV restringe participação de atletas trans em competições femininas de vôlei

Nova política de elegibilidade da entidade passa a considerar o sexo biológico feminino como critério para a categoria

Foto: Divulgação/FIVB

 

A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciou nesta sexta-feira (14) uma mudança nas regras de elegibilidade para competições femininas. Com a alteração, atletas trans não poderão participar da categoria feminina em torneios organizados pela entidade.

Segundo a CBV, a alteração tem como objetivo adequar as competições nacionais aos critérios adotados internacionalmente. A entidade informou que passará a seguir os parâmetros da Política de Proteção da Categoria Feminina do Comitê Olímpico Internacional (COI), publicada em março deste ano.

Até então, a CBV permitia a participação de atletas trans em competições femininas mediante tratamento hormonal que mantivesse os níveis de testosterona abaixo de 5 nmol/L, conforme recomendação da Federação Internacional de Medicina do Esporte (FIMS).

Com a nova regra, a ponteira Tifanny Abreu, do Osasco, fica impedida de atuar pelo clube em competições femininas de vôlei. Até o momento, a atleta não se manifestou sobre o caso.

Como será feita a verificação?

De acordo com a CBV, a verificação será realizada por meio de testagem e triagem do gene SRY. A regra foi aprovada em setembro de 2025, após ter sido incorporada pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e utilizada neste ano durante a Liga das Nações.

A CBV afirmou ainda que a decisão considera o cenário regulatório internacional e busca manter as competições brasileiras alinhadas às normas do COI, da FIVB e da Confederação Sul-Americana de Voleibol (CSV).

Mudança acompanha novas regras internacionais

A alteração ocorre em um contexto de mudanças nas políticas de elegibilidade para mulheres trans em competições esportivas internacionais. Nos últimos anos, entidades responsáveis por modalidades como natação, atletismo e ciclismo também passaram a adotar critérios mais restritivos.

O presidente da CBV, Radamés Lattari, afirmou que a mudança tem como objetivo adequar os campeonatos nacionais às normas internacionais.

“Com a mudança dos parâmetros internacionais e da responsabilidade institucional, a CBV buscou manter o alinhamento entre as regras que regem as competições nacionais com as hoje vigentes para as competições internacionais”, declarou.